A atriz, humorista e criadora Anastasia Washington é uma das vozes mais versáteis da nova geração do entretenimento. Na antologia de terror e comédia Grind, que reúne histórias conectadas sobre a economia de “bicos” e os excessos do capitalismo contemporâneo, Washington assume múltiplos personagens e funciona como o fio condutor entre as narrativas. Em entrevista, ela fala sobre trabalhar com a diretora Brea Grant, equilibrar humor e horror para discutir temas sociais e a importância de construir comunidades criativas dentro da indústria.
Grind conecta quatro histórias sobre a economia de “bicos” e o capitalismo em estágio avançado por meio da sua personagem — ou melhor, personagens. Como foi ser o fio condutor da antologia?
Foi épico! Eu adoro trabalhar com a Brea Grant. Ela é uma voz incrível dentro do terror, e eu fico muito orgulhosa de fazer parte do time dela sempre que posso. Mas também sinto que essas histórias são muito relevantes para a minha vida e para a de tantas pessoas nos Estados Unidos. Estamos todos vivendo de salário em salário e fazendo coisas para sobreviver que nossos pais nem imaginariam que precisaríamos fazer. Empregos tradicionais são raros hoje em dia, e o filme explora muito bem isso — e o quão verdadeiramente assustadora pode ser a economia de “bicos”.
O filme mistura terror e comédia — dois gêneros pelos quais você transita muito bem. O que te atrai nessa combinação e como você equilibra sustos e humor na tela?
Bom, obrigada por isso. Acho que gosto de terror e comédia porque eles conseguem transmitir mensagens de uma forma mais acessível. Eles ensinam sem parecer moralistas e iniciam conversas difíceis — e esse é o meu objetivo como artista: começar conversas que gerem mudança.
Eu também sou meio boba e adoro tudo que é macabro e assustador. Todas as mulheres da minha família são fãs de terror; os homens são mais de ação e comédia. Eu sou viciada em tudo isso. Eu amo rir. Adoro fazer as pessoas rirem — e eu rio muito assistindo terror mesmo, então por que não juntar as duas coisas?

Você interpreta vários papéis ao longo da antologia. Cada personagem exigiu uma abordagem emocional ou física diferente?
Ah, com certeza. Em alguns momentos eu era seguidora de um culto, em outros uma esnobe brutal — e em um papel que acabou nem entrando na versão final, eu teria sido um zumbi completamente perturbado. Então sim, eram sensações e abordagens físicas e emocionais bem diferentes, e eu adoro isso. Eu topo tudo. Acho que essa é meio que minha reputação: “A Anastasia vai fazer.” E provavelmente eu vou mesmo. Eu me jogo. Corro de salto alto e entro em briga, fico feia e atrevida como zumbi… eu tento, faço funcionar e ainda me divirto no processo.
Seu trabalho frequentemente aborda temas complexos como brutalidade policial, transtornos alimentares e colorismo — sempre com humor e empatia. Como você decide até onde ir ao tratar assuntos sensíveis?
Esse equilíbrio é difícil. Já fui longe demais algumas vezes. Acho que, se você aborda as coisas com gentileza e empatia, na maioria das vezes estará no caminho certo. E quando percebo que fui longe demais, estou sempre disposta a conversar sobre isso e aprender. Isso é parte da humanidade: cometemos grandes erros, e só evoluímos quando assumimos responsabilidade e aprendemos com eles.

Como criadora birracial trabalhando entre comédia, terror e cinema, que tipo de impacto você espera ter dentro da indústria do entretenimento?
Ser birracial é como ser uma ponte — você conecta comunidades e mundos diferentes, então alternar entre contextos culturais é algo muito comum para mim. Por causa disso, lidar com diferentes públicos e gêneros praticamente faz parte do meu DNA. Eu encaro isso como uma responsabilidade: usar essa posição de ponte para melhorar as coisas e provocar mudanças positivas, nem que seja apenas pela presença na tela. Mas também fazendo escolhas criativas que façam as pessoas pensar enquanto se divertem.
Você criou sua própria comunidade de cineastas de terror e apresenta um show mensal de comédia. Como construir esses espaços molda sua identidade artística?
Comunidade é essencial para ser criativa e ter sucesso. Ninguém faz nada sozinho. Sempre sinto que ter nascido em Los Angeles e começado muito jovem na indústria foi uma grande sorte para mim. Aprendi muito muito cedo. Nem todo mundo tem essa oportunidade.
Como alguém local, eu adoro poder ajudar outras pessoas a serem apresentadas e acolhidas aqui. Esse meio pode ser isolante e solitário, e ninguém deveria desistir dos seus sonhos por causa disso. Em vez disso, espero construir comunidades de apoio onde possamos criar juntos, apoiar uns aos outros e nos levantar mutuamente. Falar o nome das pessoas em salas onde elas não estão. Há espaço para todos nós. Quando percebi que nem todos pensavam assim, eu simplesmente construí outra mesa para que mais pessoas pudessem se sentar.

Olhando para o futuro depois de Grind, que tipo de histórias você sente vontade de contar agora ou explorar neste momento da sua carreira?
Tenho um longa em desenvolvimento que será filmado neste outono e que aborda um terror histórico com temática de justiça social. Quanto aos meus projetos pessoais, tenho muitas ideias de comédias de terror voltadas para justiça social e narrativas BIPOC surgindo agora. Esse é um caminho que estou definitivamente explorando, além de animação e televisão.
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