A cantora e compositora neozelandesa Amelia Power transforma experiências pessoais em narrativas musicais carregadas de emoção, sensibilidade e autenticidade. Em entrevista, a artista fala sobre o crescimento artístico desde o primeiro single, o processo de transformar memórias em canções e os desafios de construir uma carreira independente, destacando a liberdade criativa como elemento central de sua identidade musical.
Suas músicas são profundamente enraizadas em experiências pessoais. Quando você percebeu que transformar momentos íntimos em música poderia criar uma conexão tão forte com o público?
Acho que a primeira vez que percebi que podia transformar minhas próprias experiências e emoções em música, com potencial de tocar as pessoas, foi quando criei minha primeira canção, Paradigm, e a toquei para minha família. Apesar de sentir que já evoluí bastante desde aquela primeira música, ver como ela emocionou as pessoas que amo foi algo muito especial e poderoso. Alguns familiares chegaram até a se emocionar às lágrimas quando ouviram pela primeira vez, e lembro de pensar: uau, compor e fazer música realmente é impactante e tem o poder de tocar as pessoas de tantas formas diferentes.
De Paradigm até seus lançamentos mais recentes, há uma evolução perceptível no seu som. Como você enxerga seu crescimento artístico ao longo desse período?
Tem sido uma jornada exploratória, divertida, criativa e às vezes desafiadora. Acredito de verdade que todo artista precisa fazer muita música e experimentar diferentes gêneros para descobrir do que gosta, do que não gosta e para onde quer seguir artisticamente, através de tentativa e erro, escrevendo músicas diferentes e trabalhando com produtores distintos. Sinto que cada canção que fiz teve um som e uma sensação levemente diferentes, e isso foi muito libertador para mim. Agora sinto que finalmente encontrei um caminho com meu próximo single ainda inédito, Kingfisher, um som com o qual estou feliz e que quero desenvolver mais. Ainda assim, acredito que os artistas sempre devem se sentir livres para experimentar coisas novas na música.
Canções como Atmosphere e Goodbye For Now exploram espaços emocionais bem diferentes. Como você sabe qual sentimento ou história precisa virar música em determinado momento?
Quando se trata de compor, eu sempre escrevo sobre aquilo que estou sentindo emocionalmente naquele momento. Vejo o processo como algo muito curativo, uma forma de expressar e liberar o que está na minha mente. Acho que, desde que exista algo que te inspire a colocar no mundo e com o qual as pessoas possam se identificar de alguma forma, isso é o que realmente importa na essência da narrativa musical.
Em faixas mais vulneráveis como Black and Blue, você se abre emocionalmente, mantendo ao mesmo tempo uma delicadeza. É desafiador equilibrar honestidade e sensibilidade ao contar essas histórias?
Sempre existe essa sensação de que você está expondo as partes mais profundas de si mesma quando escreve músicas mais vulneráveis. Quando você está emocionalmente envolvida, o processo passa a ser também sobre como transformar esses sentimentos em letras e melodias. Algumas das minhas músicas favoritas são baladas de coração partido, e eu sempre soube que queria criar algo nesse universo. Escrever Black and Blue foi algo necessário naquele momento para lidar com o que eu estava vivendo. E por vir de um lugar tão honesto, fez sentido que a faixa também fosse ancorada na sensibilidade e na emoção mais crua.

Nostalgic reflete sobre memória, crescimento e a passagem do tempo. Que tipo de lembranças ou reflexões mais costumam inspirar suas composições?
Embora eu normalmente escreva sobre algo ou alguém que esteja me afetando naquele momento, Nostalgic foi uma experiência diferente e muito divertida, porque me levou a revisitar memórias e refletir sobre minha vida como um todo e sobre o processo de crescer. Muitas das lembranças que me inspiram vêm de experiências que vivi em diferentes lugares ou com diferentes pessoas, sejam relações pessoais, amizades ou romances. Nostalgic foi bastante inspirada nas memórias da minha cidade natal e na sensação de que eu havia mudado, enquanto o lugar parecia continuar o mesmo em muitos aspectos.
Construir uma carreira independente exige consistência e coragem. Quais foram as maiores lições pessoais e profissionais que você aprendeu ao longo desse caminho?
Ser uma artista independente é uma jornada em constante evolução, algo que estou aprendendo a navegar dia após dia. Acho que, até agora, aprendi que consistência é essencial. Se você é apaixonada por algo, quanto mais energia dedica, mais cresce e avança. Também aprendi que progresso é mais importante que perfeição e que a comparação pode roubar toda a alegria de fazer música. Cada pessoa tem seu próprio estilo, seu som único, e é importante lembrar que cada jornada e cada tempo são diferentes — e tudo bem. As coisas acabam acontecendo e fluindo como devem acontecer.
Ao compartilhar bastidores e processos criativos nas redes sociais, você constrói uma relação próxima com seu público. O que essa conexão direta representa para você como artista?
A conexão direta com o público é uma das partes mais importantes de ser artista e de fazer música. Acho que as redes sociais podem ser uma ferramenta muito poderosa para se conectar e interagir com pessoas do mundo todo. Tenho planos de compartilhar mais conteúdos de bastidores em breve, especialmente sobre um single inédito que será lançado em março. Quero que meus seguidores e ouvintes tenham mais acesso ao processo criativo e entendam melhor o contexto das minhas músicas e quem eu sou como artista.
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