A sonoridade de “A Última Sombra” mistura rock cru e visceral com referências à cultura dos povos originários do Brasil, criando uma atmosfera ritualística e combativa
Com mais de 20 anos de estrada, Nathan Fronza já integrou dezenas de bandas e projetos, realizando mais de 150 shows por ano no Brasil e no exterior, atuando como sideman, membro fixo de bandas autorais e participando de orquestras, programas de televisão e produções em estúdio
São Paulo, 30 de janeiro de 2026 – O cantor, compositor e guitarrista Nathan Fronza lança nesta sexta-feira (30 de janeiro), em todos os aplicativos de música, o single “A Última Sombra”, pela Marã Música. A faixa marca um novo e decisivo capítulo em sua trajetória autoral, agora também como intérprete, trazendo uma canção intensa que cruza rock’n’roll, simbologia espiritual e uma leitura crítica do cenário social e ambiental contemporâneo.
“A música traz a simbologia do fogo como um processo de transformação e, ao mesmo tempo, aborda os problemas climáticos que estamos enfrentando e a necessidade de assumir uma postura de luta”, explica Nathan. A estrutura da canção reforça esse conceito: o início vem com um grito de guerra, enquanto o solo final representa “o momento de luta entre oprimido e opressor”.
A sonoridade de “A Última Sombra” mistura rock cru e visceral com referências à cultura dos povos originários do Brasil, criando uma atmosfera ritualística e combativa. Essa fusão não é casual. A introdução da música surgiu ainda em 2020, logo após Nathan participar de um ritual xamânico, em um momento que coincidiu com o início da pandemia. “A ideia inicial era misturar uma sonoridade rock’n’roll com a cultura dos povos originários do Brasil”, conta. Essa introdução ficou guardada até 2024, quando as queimadas deixaram o céu cinza por mais de um mês em diversas regiões do país. “Foi nesse momento que surgiu a ideia de transformar essa introdução em uma música completa, abordando diretamente as questões climáticas.”
A letra carrega múltiplas camadas de interpretação. Em uma leitura mais direta, nasce da revolta diante de um sistema que transforma até o céu azul em mercadoria. “O céu azul como conhecíamos havia se tornado um privilégio para algumas pessoas, então pensei na frase ‘venderam o céu e ninguém vai me pagar’”, explica o artista. A sensação de sufocamento físico e simbólico atravessa versos como “destruíram minha voz, nem consigo gritar”, refletindo a impotência diante da destruição e da inércia coletiva. Ao mesmo tempo, há um tom de sarcasmo, quase amargo, diante de um mundo que desmorona sem respostas.
Em uma camada mais sutil e espiritual, “A Última Sombra” também fala de transformação interna. “Pode ser compreendida como um processo em que a pessoa precisa encarar as próprias sombras, aquelas partes que muitas vezes ignoramos por não ter força ou coragem de enfrentar”, diz Nathan. Nesse sentido, o fogo surge novamente como símbolo central: aquilo que queima, dói e transforma, deixando apenas o essencial. “Essa abordagem aparece em frases como ‘não resta mais nada além desta sombra’.”
A expectativa para o lançamento é alta, e carregada de significado pessoal. Conhecido por muitos como guitarrista e youtuber, Nathan agora se apresenta de forma integral como compositor e intérprete. “As pessoas conhecem apenas o meu lado como guitarrista, mas não o meu lado compositor de canções”, afirma. “É um desafio muito grande me expor dessa forma, assumir o microfone e expressar minha mensagem indo além da guitarra. Mas acredito que muita gente vai se identificar, porque há muita verdade envolvida ali.”
O single chega acompanhado de clipe oficial, também com lançamento em 30 de janeiro, dirigido por Leonardo Soares e Yuri Naoto. O processo de gravação foi intenso e atravessado por desafios. “Essa foi a segunda gravação. A primeira resultou na perda de todo o material, e eu já estava praticamente desistindo do projeto”, relembra Nathan. O apoio de pessoas próximas foi decisivo para recomeçar do zero, com uma nova equipe e uma nova abordagem narrativa.
O clipe apresenta dois personagens que coexistem e se cruzam ao longo da história: o artista em sua versão rock’n’roll e uma outra versão em um mundo pós-apocalíptico, devastado pelas queimadas e pelo modo de produção capitalista. “Esses dois personagens vão interagindo ao longo da narrativa”, explica. Cada detalhe foi cuidadosamente pensado, do local às escolhas de figurino, da atuação à fotografia. “Chegamos ao limite da exaustão, mas valeu muito a pena. A equipe trabalhou de maneira exemplar do início ao fim.”
Com mais de 20 anos de estrada, Nathan Fronza já integrou dezenas de bandas e projetos, realizando mais de 150 shows por ano no Brasil e no exterior, atuando como sideman, membro fixo de bandas autorais e participando de orquestras, programas de televisão e produções em estúdio. Atualmente, está totalmente focado em seus trabalhos autorais, assumindo a direção artística dos projetos e os vocais de suas canções.
A relação com a música vem de antes mesmo de nascer. “Minha mãe tocava flauta transversal em uma orquestra enquanto estava grávida de mim, e meu pai é músico profissional”, conta. Apesar de uma infância cercada por instrumentos, foi apenas aos 13 anos que a decisão aconteceu de forma definitiva. “Foi de um dia para o outro. A guitarra me permitiria expressar aquilo que existia dentro de mim. Foi como se o mundo fosse preto e branco e, de repente, ganhasse cor.”
Sua carreira profissional se construiu de forma orgânica, tocando, estudando e buscando sempre músicos mais experientes. “Em algum momento percebi que música era o meu trabalho”, diz. A partir daí, veio também a consciência de que gerir a própria carreira era tão importante quanto tocar, garantindo longevidade e dignidade artística.
As referências de Nathan transitam entre o rock dos anos 60 e 70, com nomes como Jimi Hendrix, Led Zeppelin, Beatles e Black Sabbath, e gigantes do jazz e da música brasileira, como John Coltrane, Miles Davis, Milton Nascimento e Hermeto Pascoal. Essa diversidade se conecta diretamente à sua formação no Conservatório de Tatuí, onde aprendeu a dialogar com diferentes linguagens musicais e a incorporá-las ao rock’n’roll de forma autoral.
Após uma série de lançamentos instrumentais compostos entre 2018 e 2020, Nathan prepara também um trabalho que mistura rap e rock, previsto para janeiro de 2026. “Este single é algo totalmente novo e diferente de tudo o que eu já fiz até então”, resume. “A Última Sombra” não é apenas uma música: é um posicionamento artístico, político e espiritual, um grito que ecoa em meio às cinzas, chamando à transformação.
Ficha Técnica “Última Sombra”
Composição, produção, voz, guitarra e baixo: Nathan Fronza
Bateria: Rodrigo Reatto
Backing vocal: Larissa Magoga
Mixagem: Giovanni Guazzelli e Nathan Fronza
Masterização: Giovanni Guazzelli e Rodrigo Reatto
Clipe oficial
Direção: Leonardo Soares e Yuri Naoto
Roteiro e edição: Yuri Naoto
Direção de fotografia: Leonardo Soares e Mayara Marques
Operação de câmera: Mayara Marques
Produção executiva: Larissa Magoga e Cris Mallmann
Maquiagem: Larissa Magoga
Figurino: Cris Mallmann
Coloring e VFX: Leonardo Soares
CONFIRA A LETRA DE “A ÚLTIMA SOBRA”:
Venderam o meu céu e ninguém vai me pagar
Borraram o céu e
ninguém vai limpar
Acenderam o inferno sem poder apagar
Destruíram minha voz, nem consigo gritar
A caminho do funeral
Lembranças de um mundo que já teve cor
(sirenes e helicóptero)
Queimando até a última flor
Não resta mais nada além desta sombra
Tiraram o Blue do céu