Mark McKenna aposta em comédia e drama em “SUPERMASSIVE”, novo longa de Steve Utaski

Luca Moreira
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Mark McKenna
Mark McKenna

O ator irlandês Mark McKenna vive uma nova virada na carreira ao assumir o protagonismo de “SUPERMASSIVE”, longa-metragem independente dirigido por Steve Utaski. No filme, ele interpreta Wyeth, um ex-doutorando em astrofísica talentoso, porém recluso, que é arrastado para uma viagem inesperada ao lado do irmão Cam (Carter Glade) — encontro que desencadeia tensão familiar, humor ácido e um mergulho emocional em segredos e fraturas antigas. Em entrevista, McKenna fala sobre a construção do isolamento do personagem, a química com o elenco, a chegada de Darla (Kelli Berglund) como ponto de virada da trama e o que esse papel permitiu explorar de novo em sua atuação.

SUPERMASSIVE mistura tensão familiar com caos emocional. O que te atraiu no projeto — especialmente em Wyeth como protagonista?

Eu sempre me interesso mais por tentar coisas novas na atuação. Quando li o roteiro do Steve, senti que era algo como eu nunca tinha feito antes, tanto no tom quanto no personagem Wyeth. Eu senti que o Wyeth tinha muita amplitude como personagem e acho que qualquer ator agarraria essa oportunidade. A escrita do Steve também tem esse jeito de equilibrar humor com momentos humanos, algo que eu sempre adoro em um roteiro. A dinâmica que ele construiu entre cada personagem pareceu merecida, e cada um teve espaço para mostrar sua verdade, seja ela boa ou ruim.

Wyeth é descrito como um ex-candidato a Ph.D. em astrofísica, talentoso porém recluso. Como você construiu o mundo interior dele e essa sensação de isolamento na tela?

Muitas vezes, ao construir um personagem, os traços externos me ajudam muito a entender os traços internos. Durante as filmagens de Supermassive, eu fui para Spokane uma semana antes, para a pré-produção. Então, como acontece em muitos sets, eu estava isolado em uma cidade em que eu nunca tinha estado e onde eu não conhecia ninguém. Eu até gosto desse elemento das filmagens, porque me permite tirar qualquer familiaridade e me jogar totalmente no projeto. Em Supermassive, eu apenas abracei um pouco mais esse isolamento naquela primeira semana. Antes de conhecer o elenco e, eventualmente, começarmos a jantar juntos todas as noites, eu andava bastante pela cidade sozinho, observava as pessoas, ou ia jantar sozinho, para abraçar essa sensação de isolamento. É um tipo de isolamento diferente do que o Wyeth vive, mas isso me ajudou a puxar esse sentimento na jornada dele — essa percepção de que a vida de todo mundo passa por “fases”, enquanto a dele parece que ficou parada no mesmo lugar.

A relação entre Wyeth e Cam carrega rivalidade, afeto e conflito. Como foi desenvolver essa química com Carter Glade e encontrar o equilíbrio entre humor, tensão e drama?

O Carter e eu chegamos a Spokane uma semana antes para a pré-produção e, nesse período, ensaiamos muitas cenas com o Steve, o que ajudou demais. Isso nos deu tempo para fazer perguntas e encontrar nosso ritmo. O Carter é uma pessoa muito naturalmente aberta e engraçada, então não teve muito aquela fase esquisita de “vamos nos conhecer”. Ele comprou totalmente a ideia de que éramos irmãos — ele me chamava de Wyeth na vida real mais vezes do que me chamava de Mark. Acho que grande parte da construção dessa dinâmica se deve ao Carter e ao quanto ele incorporou o carisma do Cam, tanto dentro quanto fora do set.

Darla (interpretada por Kelli Berglund) chega e cria um novo atrito. O que você pode compartilhar sobre como a presença dela muda a energia da história — e do próprio Wyeth?

A personagem Darla, literalmente e emocionalmente, tira os irmãos do caminho e “descarrila” a jornada deles — para melhor. A jornada de crescimento do Wyeth realmente não começa até ela aparecer. Eu acho que o grande mérito da escrita do Steve em Supermassive é que o Wyeth, como personagem, acredita que ao abandonar o Ph.D. ele já deu início a uma nova vida. E aí você vê ele ser ingênuo e, meio relutante, tropeçar nesse encontro com a Darla, percebendo que ela é, na verdade, o verdadeiro começo da transformação dele — e o coração da história do Wyeth.

Este é o longa de estreia do diretor Steve Utaski, depois de duas décadas no mundo da publicidade. Como foi o estilo de direção dele no set, e como essa bagagem influenciou o ritmo e o tom do filme?

O Steve foi incrível de trabalhar como diretor. A atmosfera que ele criou no set foi ótima e, como resultado, todo mundo queria o melhor para o projeto. Ele era muito aberto e pronto para qualquer ideia que surgisse. Ele ouvia todo mundo e nunca teve medo de experimentar, mesmo com nosso cronograma apertado. Depois da semana de preparação e dos ensaios que eu e o Carter fizemos com ele, parecia que ele deixou a gente seguir com os personagens, como se estivesse vendo os filhos indo para a faculdade. Quando chegamos ao set, ele nunca dizia como um personagem tinha que ser interpretado — ele dava sugestões, acreditando que nós conhecíamos nossos personagens o suficiente para saber como levar as ideias dele adiante.

Sua carreira passa por projetos bem diferentes — de Sing Street a séries como The Tourist e Wayne. O que SUPERMASSIVE te permitiu explorar que o público ainda não viu tanto de você?

Eu acho que Supermassive foi a primeira vez que eu realmente pude mergulhar na comédia de um projeto, enquanto, ao mesmo tempo, explorava a amplitude emocional de um personagem. Poder levar um personagem de reações quase “cartunescas” para momentos mais sérios e pé no chão. Eu já fiz comédia antes, mas acho que essa dinâmica de “o cara sério e o cara engraçado” aqui é nova para mim. Eu nunca tinha tido a oportunidade de contracenar com alguém tão oposto em personalidade, a ponto de até a conversa mais normal entre Wyeth e Cam já ficar engraçada de assistir.

Depois deste filme, que tipos de papéis você tem mais vontade de fazer a seguir — algo ainda mais sombrio e dramático, ou continuar transitando entre gêneros?

Algo mais sombrio e dramático poderia ser divertido. Sempre que eu leio um roteiro, tento focar principalmente no meu personagem, no papel dele na história e no que eu posso fazer com ele para dar vida e deixá-lo real e interessante. Minha maior preocupação é criar personagens interessantes e tentar não me repetir nas minhas performances, em vez de focar no gênero geral ou no tipo de projeto que eu gostaria de fazer. Um bom personagem é um bom personagem, independentemente do tipo de filme que você esteja fazendo.

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