Na última terça-feira (21), a escritora e comunicadora Paola Guaraná participou de uma palestra sobre saúde mental ao lado de Luiza Possi, em Brasília. A atividade integrou a programação de um projeto criado com o objetivo de promover reflexões sobre saúde mental, conectando vida pessoal e profissional, com foco em qualidade de vida.
Criado em dezembro de 2024, o projeto reúne empresas de diferentes nichos, com predominância de organizações da administração pública, como a Receita Federal, e também atua junto a instituições de outros setores. A iniciativa busca criar espaços de diálogo acessíveis e práticos sobre saúde mental, considerando os desafios contemporâneos enfrentados por profissionais de diferentes áreas.
O evento contou com diferentes palestras ao longo da programação. Além da conversa entre Paola Guaraná e Luiza Possi, o encontro também teve uma palestra de Dado Schneider, realizada de forma independente e sem relação direta com a participação de Paola.
Durante sua apresentação, Paola Guaraná trouxe reflexões sobre as pressões atuais enfrentadas pelas famílias, especialmente no contexto da parentalidade e da criação dos filhos. Em sua fala, destacou as mudanças sociais que impactam diretamente a forma como crianças e famílias se relacionam hoje.
“A gente se cobra muito o tempo todo — e eu acho justo. Acho que precisamos entregar para os nossos filhos o melhor que podemos. Mas é importante trazer o contexto em que vivemos hoje, que é muito diferente do de outras gerações. Vivemos em uma sociedade mais violenta, e aquela rede de apoio que existia antes — brincar na rua, ir à casa de um amiguinho — já não existe da mesma forma”, afirmou.
Paola também chamou atenção para a redução dos espaços de convivência infantil e para a forma como o brincar tem sido progressivamente limitado, inclusive em ambientes que deveriam ser acolhedores.
“Hoje, você não coloca seu filho para brincar na rua e não o manda para a casa de qualquer amigo ou família que não conheça. Essa rede de apoio foi retirada, o brincar foi para dentro de casa. E, pasmem: no condomínio onde moro, há reclamações porque as crianças fazem muito barulho no parquinho durante a tarde. Então eu me pergunto: o que a gente faz? O que sobra para a gente fazer com essas crianças?”, completou.
O evento foi realizado de forma presencial em Brasília, com transmissão online para todo o Brasil. O público foi mesclado, com faixa etária entre 35 e 60 anos, reunindo profissionais da carreira policial, bombeiros, terceirizados e participantes de diferentes áreas de atuação.