Leilões corporativos movimentam bilhões e se consolidam como motor silencioso da economia brasileira

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Com recuperação de ativos e dinamização de mercados, setor de leilões cresce no país e atrai investidores, empresas e consumidores em busca de oportunidades seguras e transparentes

O mercado de leilões no Brasil, historicamente associado à venda de bens apreendidos ou retomados, vive um novo ciclo de expansão e profissionalização. Hoje, o segmento movimenta bilhões de reais por ano, segundo dados da Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenaseg) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tornando-se um importante instrumento de recuperação de ativos e circulação de riqueza na economia nacional.

De acordo com estimativas do setor, os leilões corporativos e judiciais já representam uma das formas mais eficazes de realocar patrimônio ocioso, sejam veículos, imóveis, maquinários, equipamentos industriais ou embarcações, contribuindo diretamente para o equilíbrio financeiro de empresas e instituições públicas.

“O leilão é o elo que conecta o capital parado à economia real. Ele transforma ativos imobilizados em liquidez e devolve movimento ao mercado”, explica Rogério Menezes Nunes, leiloeiro oficial nomeado pela Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (JUCERJA) em 1989, referência nacional no setor responsável por grandes operações com bancos, seguradoras e companhias de diversos segmentos.

Um mercado que não para de crescer

Nos últimos cinco anos, o avanço dos leilões online impulsionou o setor a um novo patamar. Plataformas digitais seguras e regulamentadas ampliaram o acesso, permitindo que compradores de todas as regiões do país participassem de pregões antes restritos aos grandes centros.

Segundo a Fenaseg, apenas o segmento de seguros e sinistros de veículos movimenta cerca de R$12 bilhões por ano, entre automóveis recuperados, bens corporativos e sucatas industriais. Já o IBGE aponta que o volume de ativos retomados ou leiloados por bancos, seguradoras e órgãos públicos cresceu 23% entre 2022 e 2024, reforçando o papel estratégico do modelo para a economia.

O Rio de Janeiro, tradicional polo do setor, registrou um aumento de 28% nos leilões corporativos em 2024, impulsionado por operações bancárias e de seguradoras. Em São Paulo, o maior mercado do país, o número de leilões digitais cresceu 35% no mesmo período, com destaque para o setor imobiliário e automotivo. Já em Brasília, a modalidade ganhou força entre empresas públicas e órgãos federais, que passaram a adotar o modelo como estratégia de gestão patrimonial, movimentando mais de R$1,5 bilhão no último ano, de acordo com levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

“Os leilões corporativos e judiciais geram eficiência econômica. Quando um bem retorna ao mercado, ele deixa de ser um passivo e se torna oportunidade de investimento, emprego e consumo. É uma engrenagem silenciosa, mas essencial”, destaca Menezes.

Transparência e confiança como pilares

O sucesso desse ecossistema está diretamente ligado à credibilidade dos leiloeiros oficiais e à regulamentação rígida que rege o setor. Cada etapa do processo , da avaliação à batida do martelo, segue normas específicas que garantem segurança jurídica e lisura nas transações.

“O público entendeu que o leilão não é um ‘negócio de ocasião’, e sim um mercado profissional. Quando há seriedade, o investidor se sente protegido e o resultado é crescimento sustentável”, afirma o leiloeiro.

Com 36 anos de atuação e uma estrutura de 70 mil metros quadrados no Rio de Janeiro, Rogério Menezes consolidou uma operação que une tecnologia, transparência e volume. Sua carteira de clientes inclui grandes bancos, seguradoras, financeiras e companhias privadas, e o leiloeiro já realizou pregões que somam bilhões de reais em bens colocados na economia.

Segundo Menezes, o modelo se tornou também uma ferramenta de gestão corporativa e responsabilidade social. “Hoje, empresas usam o leilão como estratégia de capitalização e até de ESG, ao dar destino responsável a bens ociosos. É um mercado que combina transparência, eficiência e impacto social”, explica.

O impacto direto na economia

Além de recuperar crédito e equilibrar balanços empresariais, o setor de leilões tem efeito multiplicador sobre a cadeia produtiva. Bens leiloados voltam a circular, estimulando comércio, transporte, manutenção, reciclagem e revenda — especialmente nos ramos automotivo e imobiliário.

Um estudo da Fenaseg estima que cada veículo leiloado gera, em média, cinco novos postos de trabalho indiretos, em áreas como oficinas, transportadoras, seguradoras e despachantes. No setor imobiliário, cada imóvel arrematado movimenta uma média de R$ 80 mil em reformas, decoração e serviços, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

“É um efeito dominó. O leilão devolve vitalidade a setores inteiros e mantém a roda da economia girando, mesmo em tempos de instabilidade. Por isso, é um termômetro real da atividade econômica”, observa Menezes.

O futuro do setor

Com a digitalização consolidada e o aumento da confiança do público, o desafio agora é ampliar a educação financeira e a cultura de investimento em leilões. Segundo levantamento da Associação Nacional dos Leiloeiros (Analeilão), o número de novos participantes cadastrados em plataformas digitais cresceu 62% entre 2020 e 2025, e a faixa etária predominante está entre 30 e 45 anos, perfil de consumidores atentos à rentabilidade e à segurança.

Rogério Menezes acredita que o futuro do mercado será cada vez mais tecnológico, acessível e sustentável. “Estamos apenas no começo de uma nova fase. O leilão digital democratizou o acesso e trouxe uma geração que busca oportunidades com responsabilidade. O que antes era restrito, hoje é parte do cotidiano de quem entende o valor real de investir com segurança e propósito”, conclui.

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