No Film Fest LA deste ano, Jax Malcolm brilhou como um dos nomes mais versáteis e produtivos da nova geração de criadores. Ator, diretor, roteirista e produtor, Malcolm apresentou ao público uma safra de novos trabalhos, reforçando sua presença como um artista multifacetado que transita com habilidade entre diferentes formatos narrativos.
A grande estreia da noite foi This Is My Story, série de ficção em áudio criada e dirigida por Malcolm em parceria com Jake Purfield. A produção, que mistura mistério e aventura, conquistou o festival e garantiu três prêmios principais: Melhor Podcast de Comédia, Melhor Podcast Sobrenatural e Melhor Elenco. O elenco reúne Jax Malcolm, Jake Purfield, Kash Hovey, Dai Time, Paris Bravo, Kira Reed Lorsch e diversos nomes conhecidos da cena jovem de Hollywood.
Malcolm também exibiu Trident, seu fashion film criado em colaboração com Gary Robinson, que venceu o prêmio de Melhor Fashion Film, reafirmando sua capacidade de dialogar com moda, estética e narrativa visual. A noite ainda contou com a exibição do curta The Haunted Assignment, onde Malcolm divide cena com Ayla Rae Neal, Charlie Townsend e Jaime Adler.
Com uma trajetória que atravessa cinema, podcasts, moda e produção digital, Jax Malcolm reafirma sua posição como um criador inquieto e inovador. No Film Fest LA, seu trabalho mostrou não apenas maturidade artística, mas a força de uma nova geração que está redefinindo a produção independente.
This Is My Story estreou no Film Fest LA e recebeu vários prêmios. Em que momento você percebeu que esse projeto precisava existir agora, para esta geração?
Percebi que esse projeto precisava existir quando vi o quanto o público jovem vive consumindo conteúdos rápidos, que raramente dão espaço para imaginar qualquer coisa. O formato em áudio parecia certo para este momento. Ele convida o ouvinte a construir o mundo junto com a gente. Quando Jake e eu finalizamos o piloto e ouvimos a última fala na mixagem, eu soube que aquilo falava diretamente a algo que essa geração está faminta por encontrar: uma história que soa como uma aventura construída dentro da própria mente.

O projeto venceu Melhor Podcast de Comédia e Melhor Elenco, misturando humor, mistério e emoção apenas através de voz. Qual foi o maior desafio de contar uma história em um formato onde o público “vê” apenas com a imaginação?
O maior desafio foi guiar o público sem ter imagens para apoiar a narrativa. Cada escolha de som importava. Cada pausa importava. Como roteirista, diretor e protagonista, eu precisei pensar como um pintor que trabalha apenas com som. O elenco e a equipe de áudio se tornaram meu pincel. Tivemos que confiar que o ouvinte nos encontraria no meio do caminho e daria vida ao mundo dentro da própria cabeça.

Você também criou Trident, que venceu Melhor Fashion Film. Como cinema e moda se conectam no seu universo criativo?
Cinema e moda são formas de contar histórias para mim. Um look pode revelar quem um personagem é antes mesmo de ele falar. Um filme pode carregar um sentimento através de cores e movimentos. Com Trident, eu crio peças que carregam uma narrativa da mesma forma que uma cena carrega. Quando faço um fashion film, uno os dois mundos e deixo as roupas se moverem como personagens dentro da história.

Você atua, escreve, dirige e produz. Em qual desses papéis você sente que é mais você mesmo?
Eu me sinto mais eu mesmo quando escrevo e dirijo como um único processo. Escrever me permite construir o mundo. Dirigir me permite colocar esse mundo em movimento. Atuar dentro de algo que eu criei fecha o ciclo. Isso me permite falar de dentro da história que eu moldei. Essa combinação é a que mais reflete quem eu sou como artista.

Em Coral The Haunted Assignment você entra em um universo de terror sobrenatural. Atuar em horror exige uma preparação emocional ou física diferente? O que mais te surpreendeu nesse processo?
O horror depende muito do instinto. Você precisa acessar tensão e medo mesmo quando o set ao redor está calmo. Também exige bastante do corpo, já que as reações precisam parecer reais e imediatas. O que mais me surpreendeu foi o quanto a atmosfera muda sua atuação. A baixa iluminação e o som pesado fazem seu corpo sentir a história antes mesmo da mente.

Você cresceu junto com o Film Fest LA em diferentes fases da sua carreira. O que mais mudou desde a primeira vez que participou até subir ao palco para receber prêmios este ano?
Meu senso de propósito mudou. Quando fui ao festival pela primeira vez, eu só esperava que meu trabalho fosse bem recebido. Este ano, eu entendi o impacto de criar projetos que realmente falam com as pessoas. Senti que fazia parte de uma comunidade criativa, em vez de alguém apenas torcendo para ser incluído. Essa mudança fez o momento no palco parecer merecido e sólido.
Muitos jovens criadores hesitam em compartilhar seu primeiro projeto. Que mensagem você deixaria para eles agora?
Compartilhem seus trabalhos. Não esperem. O primeiro projeto não é sobre perfeição. É sobre movimento. Você aprende muito mais lançando do que escondendo a ideia até parecer segura. Deixe o projeto te ensinar. Deixe o público te encontrar. Cada passo adiante constrói o próximo.