O duo paulistano Teorias do Chá lança no dia 21 de novembro, em todos os aplicativos de música pela Marã Música, o EP “Live Session – A Casa do Groove”, um projeto que revisita faixas já conhecidas do público em versões ao vivo, intensas e emocionalmente potentes. Reunindo sete canções, incluindo as primeiras músicas da banda e o EP “Guarda-Chuva Invisível”, o trabalho apresenta uma nova roupagem que evidencia a fase atual do duo: mais madura, visceral e conectada à essência de suas composições.
Gravado totalmente ao vivo, o EP revela a energia crua do Teorias do Chá, explorando uma sonoridade que transita entre o indie, o indie pop psicodélico e o indie rock, com arranjos que equilibram delicadeza e força. As versões ganham uma pegada mais rock’n’roll, especialmente nas faixas do “Guarda-Chuva Invisível”, como “Aqui Não Me Mata”, que carrega uma mensagem de superação e intensidade. Para o duo, o registro nasce do desejo de mostrar ao público a verdade do palco, “sem filtros”, como eles mesmos definem.
A sessão foi gravada na Casa do Groove e marca um reencontro do duo com sua própria história. Além do EP, os artistas lançam o clipe completo da live session, disponibilizado simultaneamente à meia-noite do dia 21. Com estética intimista, o vídeo valoriza cada olhar, gesto e emoção captada no estúdio. Para o Teorias do Chá, o projeto é um convite à reflexão e à reconexão com o que realmente importa — um trabalho que reafirma sua identidade, celebra o processo criativo e convida o público a sentir a força do som ao vivo.
A live session revive canções que já fazem parte da história de vocês. Como foi emocionalmente revisitar versões antigas de quem o Teorias do Chá já foi, olhando agora para a banda mais madura que vocês se tornaram?
Cada música traz um pedaço de quem já fomos, mais impulsivos, mais inquietos, mais inocentes e revisitá-las agora, fez com que elas ganhassem outros significados. A sensação é de olhar para trás com carinho, entendendo que aquelas versões nossas também nos trouxeram até aqui. Na live session, conseguimos unir o passado e o presente num único respiro.
Vocês disseram que queriam mostrar a energia real do duo, “sem filtros”. Em um mundo tão editado e cheio de sobreposições digitais, o que significa para vocês registrar um trabalho onde cada respiração, silêncio e falha também fazem parte da obra?
Significa voltar para a essência. A música, para nós, não é só o que se ouve é o que se sente. E sentir exige verdade. Registrar a respiração, o silêncio e até os pequenos “erros” é assumir que a arte não precisa ser perfeita para ser profunda. Essa live session é o registro de quem somos agora, sem polir demais, sem tentar mascarar algo. É quase como abrir o peito para o ouvinte e dizer “É assim que a gente vibra saca”.
O EP nasce em meio a uma proposta de reconexão com o que realmente importa. Em que momento da vida de vocês surgiu a percepção de que era preciso desacelerar e olhar para dentro?
A percepção veio aos poucos, mas se tornou impossível ignorar quando entendemos que estávamos vivendo no automático produzindo, correndo, resolvendo, sem realmente sentir.
Algumas experiências pessoais mais intensas de perda de pessoas queridas também nos fizeram parar e repensar prioridades e quando situações assim atravessam a nossa rotina, a arte acaba virando um espaço de cura. Foi aí que percebemos que precisávamos respirar, nos reconectar e permitir que a música voltasse a ser um lugar de encontro, e não só de entrega.
“Aqui Não Me Mata” carrega uma mensagem de força e superação. Existe algum episódio pessoal — ou de alguém próximo — que vocês sentem que dialoga com o espírito dessa canção?
Sim. Essa música nasce de batalhas reais nossas e das pessoas que fazem parte da nossa vida que observamos, Ela fala sobre resistir quando tudo parece pesado demais, sobre encontrar força no que ainda pulsa mesmo quando o mundo parece desmoronar. Vivemos momentos difíceis, presenciamos dores profundas, e isso inevitavelmente atravessou a canção. No fim, ela virou um lembrete de que o que tenta nos derrubar não define onde vamos chegar ou como vamos viver nossas vidas.
O release descreve um contraste entre delicadeza e potência, como se a música oscilasse entre o suspiro e o grito. Artisticamente, vocês se sentem mais próximos da vulnerabilidade ou do impulso de resistência? Ou acreditam que uma coisa não existe sem a outra?
Acreditamos que uma não existe sem a outra. A vulnerabilidade abre a porta para a sinceridade a resistência dá voz ao que precisa ser dito. A nossa música sempre caminhou nesse meio termo, entre quem sente muito e quem luta muito. A delicadeza e a força convivem dentro de nós, muitas vezes no mesmo verso, na mesma nota.
A Casa do Groove não é só um estúdio neste projeto, mas quase um personagem. O lugar influenciou o resultado final? Há algo naquele espaço que vocês sentem que vibrou junto com vocês?
Totalmente. A Casa do Groove tem uma energia que abraça. É um lugar onde tudo parece respirar música, nossa casa, onde o som encontra espaço para se expandir. Estar ali nos deixou mais confortáveis, mais presentes e, principalmente, mais espontâneos. Dá para sentir que o próprio ambiente vibrou junto as paredes, a iluminação, o clima entre as pessoas. Tudo isso ajudou a trazer a verdade que queríamos registrar.
Quando pensam em quem vai ouvir o EP, qual sentimento vocês esperam despertar primeiro: identificação, coragem, alívio, companhia…? Existe uma emoção que vocês gostariam que alguém escrevesse dizendo: “Obrigada, eu senti isso”?
Gostaríamos que as pessoas sentissem companhia. Que se percebessem menos sozinhas nas próprias dores, dúvidas e recomeços. Se alguém escrever “Obrigada, eu me senti acolhida(o)” ou “Vocês cantaram algo que eu estava guardando”, já será o suficiente. A música só faz sentido de verdade quando encontra alguém — e esse EP foi feito para isso abraçar as dores e os amores rs…
O que vocês diriam para o Teorias do Chá do início de tudo — aquele que lançou as primeiras faixas e ainda não imaginava que gravaria essa live session quase como uma síntese da própria história?
Diríamos: “Calma. Continua. Tudo o que você está vivendo agora vai fazer sentido.
Diríamos também para não ter medo de mudar, de amadurecer e de se afastar quando for preciso. Tudo faz parte. E que um dia, olhando para trás, vocês vão entender que cada passo até os mais incertos estavam nos levando exatamente até aqui.
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