Combinando romance, mistério e fantasia, o livro “Depois das Cinco”, do autor carioca Bruno Haulfermet, foi lançado oficialmente no último dia 20, na Livraria da Travessa no BarraShopping, Rio de Janeiro. Publicado pela Buzz Editora, o romance young adult segue a improvável história de amor entre Ivana e Dario, dois jovens que vivem em horários opostos e tentam desafiar o destino para ficarem juntos. Com elementos de diversidade e representatividade, a obra, já sucesso no Wattpad, promete envolver o leitor na enigmática Província de Rosedário.
Como surgiu a ideia de escrever Depois das cinco e como foi o processo de criação dessa história tão original e envolvente?
A ideia do “Depois das Cinco” veio de uma inspiração assistindo o filme “A Casa do Lago”, com a Sandra Bullock e o Keanu Reeves, onde eles estavam nessa casa, mas havia uma diferença temporal de 2 anos entre eles. E, se correspondendo por cartas e se apaixonando, tentavam descobrir como enfrentar essa questão para ficarem juntos. Daí surgiu a ideia de Ivana só existir durante o dia e Dario existir apenas durante a noite.
O processo criativo foi intenso, com meses de pesquisa antes de começar de fato a escrever, montagem de ficha técnica dos personagens, além de toda a parte técnica da trama. O livro em si eu levei exatamente um mês para escrever, sentando todos os dias, e ainda revisando depois de escrito, como parte de um exercício que me impus (fiz um NaNoWRiMo fora de época).
A trama de Depois das cinco envolve mistério, romance, ficção científica e fantasia. Quais foram suas principais influências para desenvolver esse universo e os personagens de Ivana e Dario?
Eu amo fantasia e terror (que é meu gênero da vida e o que mais consumo), sobretudo cultura pop, ainda mais dos anos 90. Depois das Cinco, embora seja uma romantasia, tem momentos mais sombrios, que refletem bem minhas preferências de terror. Além disso, filmes como “A Princesinha” e “O Jardim Secreto” também tiveram um papel importante no auxílio da ambientação, porque são histórias que trazem uma sensação muito intimista.
A Província de Rosedário, onde a história se passa, é um lugar repleto de segredos. O que inspirou você a criar esse cenário tão intrigante e único?
Província de Rosedário é inspirada em cidadezinhas do interior da Itália e da França, rústicas e bastante simples. Queria um cenário de cidade pequena, onde todo mundo se conhece, onde cada passo que se dá todo mundo acaba sabendo. Isso, por si só, já é assustador, porque você está sempre medindo suas atitudes, pisando em ovos.
Para dar mais peso a essa atmosfera, queria que a província fosse muito bonita e tivesse status, apenas para que o segredo que ela esconde tornasse ela ainda mais suspeita e causasse impacto no leitor à medida que ele descobre que o lugar não é tão incrível assim.
A representatividade é um tema central em Depois das cinco. Como você trabalhou para incluir protagonistas negro, representatividade gorda e LGBTQIAPN+ na história de maneira autêntica?
Sendo um homem gay dos anos 1990, eu não me via representado em nenhum filme, série ou novela que eu assistia e isso para uma criança/adolescente chegava a ser cruel, porque eu me questionava: “Onde eu me encaixo nesse mundo?”. E, não me vendo em lugar nenhum, era complicado de certa forma me sentir parte da sociedade.
Então, por ter vivido essa ausência de representatividade, sei exatamente como é. E não quero, de forma alguma, que meus leitores sintam o mesmo ao ver uma obra minha. Ao criar personagens, estou exemplificando pessoas reais, com medos, inseguranças e qualidades que espero que meus leitores possam se identificar, se verem refletidos de alguma forma.
O livro foi um sucesso no Wattpad antes de ser publicado pela Buzz Editora. Como foi essa transição de uma plataforma digital para uma publicação física?
Como minha base de leitores é modesta, a publicação física foi um desafio como um todo, mais pelo processo de preparação em si do que pela mudança do digital para o físico. Foi a primeira vez que me deparei com todas as etapas, do convite/assinatura do contrato, até a distribuição. De lá para cá o livro mantém sua essência, com alguns capítulos extras e, como um todo, está mais maduro.

Como você equilibra o mistério e o romance dentro do enredo, mantendo os leitores curiosos e emocionalmente conectados aos personagens?
Eu gosto de lançar alguns mistérios durante a trama, com níveis de “dificuldade” diferentes, para que o leitor possa criar diversas teorias, enquanto avança na história. Acho importante deixar uma ou outra coisa fácil de adivinhar, porque cria uma relação de proximidade do leitor com a obra. É uma forma de ele sentir que captou tão bem a história que conseguiu desvendar as coisas.
O romance também ajuda a conectar o leitor com os personagens, porque a história de amor não envolve só os protagonistas, mas todos que de alguma forma querem ver aquilo dando certo ou errado, sejam amigos ou desafetos. Gosto de ir evoluindo o romance à medida que os mistérios surgem, porque chega um certo ponto em que tudo se mistura: você quer saber o desfecho, tanto da relação dos protagonistas quanto dos mistérios.
Quais foram os maiores desafios que você enfrentou durante a escrita e o desenvolvimento de Depois das cinco?
“Depois das Cinco” foi minha primeira romantasia, então meu maior desafio sem dúvida foi me achar apto a escrever um romance, principalmente sendo um consumidor ávido de terror. Esta obra também foi a primeira em que me propus a escrever capítulos mais curtos, e também foi a primeira que escrevi depois de uma série de cursos e workshops que fiz, tanto sobre escrita quanto sobre o mercado literário brasileiro. “Depois das Cinco” foi, além de um exercício, um experimento com o intuito de me inserir no mercado. Sem dúvida o maior desafio foi criar algo que pudesse ser comercial, mas que não fugisse à minha essência.
Como você espera que os leitores se conectem com a história e o que gostaria que eles levassem consigo após lerem Depois das cinco?
“Depois das Cinco” é uma história que aborda o amor de formas diversas, não apenas do ponto de vista romântico, mas também do amor entre amigos e família. Desejo muito que os leitores, ao lerem a obra, se vejam refletidos ali, que possam se sentir parte dela como, lá atrás, o Bruno criança não pôde se sentir ao ver filmes, séries e novelas.
O livro carrega a mensagem de que se viva a vida de forma completa, não se acostumando às adversidades que a vida nos impõe. Todos nós temos o direito de desejar mais para si, não importa como a vida se apresente para a gente. Mesmo diante de uma série de dificuldades, Ivana e Dario seguem uma jornada de autoconhecimento e de libertação, e é isso que espero que os leitores sigam por suas vidas.
Acompanhe Bruno Haulfermet no Instagram