Fabio Scofield encara desafio de imergir leitores em nova obra que aborda mistério e espiritualidade na época do 11 de setembro em Nova York

Luca Moreira
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Fabio Scofield
Fabio Scofield

O novo thriller de Fabio Scofield, “No Limiar do Despertar – Além do Vale da Morte”, leva os leitores a uma jornada cheia de mistério e espiritualidade, ambientada na Nova York pós-11 de setembro. O romance segue Frank Sully, um jovem estagiário do Queens que, após vivenciar sonhos premonitórios perturbadores, se vê em uma corrida contra o tempo para impedir um iminente atentado terrorista. À medida que os devaneios de Frank começam a se manifestar também em sua vida acordada, ele e seu amigo Dott se mergulham em uma investigação frenética, enfrentando forças invisíveis que podem mudar o destino de centenas de pessoas.

A narrativa é marcada por uma profunda conexão com o espiritismo kardecista, refletindo as experiências pessoais de Scofield com a mediunidade e os sonhos realistas que influenciaram a construção da trama. Com um enredo estruturado como um quebra-cabeça, Scofield, que é também arquiteto de software, oferece uma leitura rica em referências culturais dos anos 60 e 80, bem como em ficção científica clássica. O livro promete cativar os fãs de mistérios e sobrenatural, explorando temas que desafiam a percepção da realidade e da existência.

Após sua estreia literária com “A Cruz e o Crucifixo” em 2023, Scofield reafirma seu talento com este novo trabalho, que não só homenageia o legado cultural dos filmes e bandas influentes, mas também aborda questões profundas sobre vida, morte e a força das premonições. Com um próximo lançamento já em andamento, o autor continua a explorar novos horizontes em sua carreira literária, trazendo histórias que misturam ficção e realidade de maneiras surpreendentes.

No Limiar do Despertar – Além do vale da morte mistura espiritualidade com elementos de suspense e mistério. Como surgiu a ideia de combinar esses temas na sua narrativa?

Bem, sou escritor de suspense, mas, ao mesmo tempo, espírita kardecista com uma mediunidade intuitiva aflorada. Já na primeira obra, A Cruz e o Crucifixo, trouxe essa espiritualidade sempre presente no decorrer da trama. Assim, tratar uma história 100% em cunho espiritual, soa muito religioso ou técnico demais, portanto, precisava misturar esses dois mundos (suspense e espiritual) de uma forma que conseguisse transmitir a principal mensagem ao final da obra. Acredito que tenha conseguido. É muito gratificante, pois muitos leitores me agradecem pela história, se emocionam com as passagens, ao mesmo tempo, ficam de boca aberta com o final.

A trama do livro se passa em Nova York e aborda eventos relacionados à tragédia do 11 de setembro. Como você equilibra a sensibilidade necessária para tratar de um tema tão delicado com a ficção da história?

Excelente pergunta. Após o prefácio, eu já começo o livro dedicando a obra a Nova York e as vítimas do 11 de setembro. Respeito em primeiro lugar. Durante a trama, o protagonista sempre lembra o que aconteceu naquela manhã de terça-feira e, pela história se passar em meados de 2003, os ânimos continuam aflorados na busca pela “vingança” por tudo o que aconteceu. É um dos sentimentos que move a história para frente, assim como a dúvida e a culpa. Uma coisa é ver a história com os olhos em 2024, outra é em 2003. Entende? Assim, finalizando, acredito que tenha conseguido escrever com respeito e utilizar o lado ficcional, conectando todas as pontas soltas, sempre seguindo minha intuição espiritual. “Nunca faça para os outros o que você não gostaria que fizessem para você.

Frank Sully, o protagonista, tem sonhos premonitórios que desafiam sua percepção da realidade. Como sua própria experiência com o espiritismo influenciou a criação deste personagem e suas vivências?

Frank Sully é quase um alter ego de Fabio Scofield, já começando pelo nome. O personagem apareceu em meus sonhos como que falando “Escreva sobre mim. Escreva sobre minha história”, assim, juntei a minha característica de autor de suspense com minha intuição espiritual na construção da trama. No término do manuscrito, após a leitura crítica de alguns parceiros, eles pediram para eu alterar o título e algumas passagens na história. Tive pesadelos por uma semana! Era como se Frank dissesse “Não tire isso! Não mude! É assim que deve ser”, portanto, não fiz essas alterações e, vendo a obra finalizada, agradeci por não ter alterado nada.

Você se autodenomina um “escritor arquiteto” e utiliza sua experiência profissional para construir a narrativa em formato de quebra-cabeça. Pode nos contar mais sobre o processo de criação dessa estrutura e como ela se reflete na trama?

Legal! Eu começo com uma ideia básica já pensando no final da história com aquele “boom” ao terminar a leitura. O leitor pensará “Oh, meu Deus! Estava tudo ali e eu não vi!”. Assim, todas as minhas histórias, já tem um final definido, resta saber como chegar até lá. Portanto, eu desenvolvo a história pesquisando, aprendendo sobre o assunto a ser tratado, uso flip chart e colo post-it fazendo as conexões com os personagens, ideias, pistas e desenho (do meu jeito) cada uma das cenas. Monto a ficha de cada personagem respondendo cerca de 100 perguntas, escrevo um resumo de cada capítulo, defino a linha do tempo da história e só após tudo isso, começo, definitivamente, a escrever. Tudo em minhas histórias há um propósito em existir.

O livro apresenta referências pop, como bandas musicais dos anos 1960 e 1980 e filmes de ficção científica. De que maneira essas referências contribuem para a ambientação e desenvolvimento da história?

Sou um autor de referências que faz o leitor usar o mais profundo do imaginário, assim, essas músicas, filmes, programas, frases, locais, objetos, brinquedos, etc., tem total relação com a história (ou outras). Algumas referências são explícitas, outras implícitas, e algumas, somente os mais atentos irão perceber. Referências, na maioria das vezes, são pistas escondidas na trama. Elas existem por um motivo. Nada é aleatório na minha escrita. Escrever por escrever não tem a menor graça, é preciso ter um propósito, um objetivo maior, assim, a cultura pop sempre estará presente em minhas obras. É nostalgia pura!

Fabio Scofield
Fabio Scofield

Em sua opinião, qual é a principal mensagem que os leitores devem levar consigo ao terminar de ler No Limiar do Despertar?

Excelente pergunta. Durante a trama, o leitor irá se deparar com diversas mensagens de cunho emocional e espiritual, tanto em diálogos, narrativa e referências/pistas por toda a parte. Alguma delas, com certeza, tocarão o coração do leitor. Os sentimentos que levam a história para frente são bem definidos. Voltando a pergunta, a principal mensagem de No Limiar do Despertar, é que nós não estamos sozinhos nesse planeta, tampouco, a vida acaba, e, a materialidade da existência e os pensamentos negativos podem te levar a lugares sombrios.

Você já está trabalhando no seu próximo projeto literário, uma história que se passa na década de 1990 com uma protagonista no espectro autista. O que pode nos contar sobre essa nova obra e o que os leitores podem esperar dela?

Sim, eu tenho duas histórias “prontas” que requerem ainda edição e enriquecimento, portanto, as deixarei descansando por enquanto. Mas estou desenvolvendo a próxima história a ser publicada. Por cinco meses, li livros, assisti filmes e seriados, e conversei com psicólogos especialistas, tudo para aprender e viver o “autismo”. Se trata de uma protagonista negra com autismo na década de 90, mas essa condição da personagem não é o tema principal a ser tratado. Sem entregar muito, posso dizer que é uma história de compaixão e empatia em um suspense no meio de uma investigação policial que coloca em xeque uma amizade improvável, quando um segredo tenebroso é revelado, mudando toda a percepção da vida.

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