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Muié macho sim sinhô? A história por trás da canção e a realidade de muitas mulheres paraibanas

Muié macho sim sinhô? A história por trás da canção e a realidade de muitas mulheres paraibanas

 A primeira vez que ouvi essa música estava no meu ensino médio – isso por volta do ano de 2011 ou 2012, estudávamos sobre a política paraibana e um dos exemplos usados foi “Paraíba” esse hino atemporal do rei do baião.

 

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Composta pela dupla Humberto Teixeira e o Luís Gonzaga, com grandes clássicos nas costas como “Xote das meninas” e “Asa Branca”, escrita durante o ano de 1936 e apresentada ao grande público em 1950 em Campina Grande, o jingle ganharia várias interpretações, uma delas – a mais difundida- seria sobre esta se referir às mulheres paraibanas. Será esse o verdadeiro significado?

Abaixo os trechos da música e cada significado dele:

“Quando a lama virou pedra
E Mandacaru secou
Quando a ribaçã de sede
Bateu asa e voou
Foi aí que eu vim me embora
Carregando a minha dor
Hoje eu mando um abraço
Pra ti pequenina

Paraíba masculina
Muié macho, sim sinhô”

 

        Significado:

A Paraíba se encontra-se na região Nordeste do país, o autor cita na primeira estrofe o êxodo rural muito comum naquela época, devido as constantes secas no sertão nordestino. Nesse momento, o homem sertanejo deixa sua terra para tentar a vida nas regiões mais ricas: como o Sul e Sudeste. Por outro lado, quando o autor evoca a Paraíba aqui, refere-se principalmente ao nome do estado, por ser um substantivo feminino, o compositor saúda -lhe dando um abraço.

“Eita pau pereira
Que em princesa já roncou
Eita Paraíba
Muié macho sim sinhô

Eita pau pereira
Meu bodoque não quebrou
Hoje eu mando
Um abraço pra ti pequenina”

 

         Significado:

Seis anos antes da musica ser composta por Luiz Gonzaga, a Paraíba entraria para as páginas dos livros de história. Em 1930, com a nova politica alfandegária sobre os produtos paraibanos, as relações entre as oligarquias do sertão paraibano com os estados vizinhos (Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte) ficaram estremecidas.

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Naquela ocasião, o governador João Pessoa mudará as taxas de importação, produtos que fossem levados até o Porto de Cabedelo teria uma taxa menor ao se comparar se o transporte fosse feito por outros estados. A partir dessa nova tarifa, vários senhores locais se viram lesionados, o que ocasionou a a Revolta de Princesa, encabeçado pelo José Pereira, oligarca da município de Princesa Isabel – sertão paraibano. No fim, com o falecimento de João Pessoa, a revolta foi dissolvida.

Muié Macho Sim Sinhô: A realidade da luta de muitas paraibanas contra o feminicídio

É muito comum atrelar a música “Paraíba” a figura feminina, sempre colocando- as como fortes e destemidas – não que a mulher paraibana não seja, mas a nossa realidade é bem oposta. O machismo ainda impera no estado, inúmeros casos de feminicídio faz-nos repensar se a sociedade nos respeitam enquanto pessoas.

O Anuário da Segurança Pública da Paraíba Exercício 2019, mostrou por meio dos dados um crescimento de 11, 76% dos casos de assassinatos cometidos contra as mulheres. Quando vamos comparar aos outros anos a situação fica mais devastadora. Se de 2018 para 2019 fora de 32 casos para 34, quando comparamos de 2017 para 2018 pulam de 22 casos para 32, sendo assim, um aumento de 53% de acordo com a pesquisa feita.

Não que as mulheres do estupro coletivo de Queimadas não fossem mulheres fortes, não que as inúmeras mulheres que perderam as suas vidas por conta do machismo também não seja. Mas atrelar a palavra “Macho” é anular a força da mulher e esquecer que é o “macho” o seu maior algoz.

 

VIVA AS PARAIBANAS DE FIBRA!!

VIVA A MUIÉ FORTE!!

 

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