Fome no Brasil: como as ONGs gerenciam as demandas em momentos de crise

No final de 2020, 19,1 milhões de pessoas conviviam diariamente com a fome no Brasil. Em pouco mais de um ano, esse cenário atingiu a preocupante marca de 33,1 milhões de brasileiros. Os números, divulgados no início de junho, são do 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional – Rede PENSSAN.

De acordo com o administrador João Paulo Vergueiro, conselheiro do Conselho Regional de Administração de São Paulo – CRA-SP e diretor-executivo da ABCR – Associação Brasileira de Captadores de Recursos, as estatísticas demonstram que a desigualdade se aprofundou nos últimos anos e a chegada da Covid-19 impactou as pessoas de forma diferente. “Quem tinha mais recursos, conseguiu lidar melhor com a situação, diferentemente de quem já não contava com muito e, nesse caso, as dificuldades se ampliaram. Fatos como o aumento do desemprego, a inflação, que é a maior em décadas, além das tragédias que surgiram nesse tempo, contribuíram para o avanço da fome no País”, opina o administrador.

Diante do cenário de insegurança alimentar, que leva milhões de brasileiros a lidarem com a incerteza de quando vão comer novamente, as ONGs vêm assumindo o papel de principais redes nacionais de combate à fome. Vergueiro destaca iniciativas como a do Movimento União BR, da Central Única das Favelas – CUFA, e a da Ação da Cidadania, que arrecadam e distribuem alimentos em todo o País, visando reduzir um pouco o impacto negativo causado pela Covid-19. “Esses recursos também são coletados e distribuídos localmente por organizações menores, que têm papel fundamental no tema”, acrescenta o conselheiro do CRA-SP.

Desafios na gestão das organizações

Com a continuidade da pandemia e, junto a ela, a soma de outras tragédias, os desafios para as instituições seguirem com a captação de recursos dia após dia são ainda maiores, pois é preciso encontrar, a todo instante, soluções de caráter imediato. Além disso, a compra, a estocagem e a distribuição de alimentos envolvem uma logística complexa até o seu destino final e, com a alta da inflação, houve o aumento do preço dos produtos e da distribuição, resultando na diminuição da capacidade das organizações manterem o mesmo nível de apoio do início da pandemia.

“A gestão fica mais pressionada e com o aumento da demanda temos que fazer mais com menos. Esses momentos são complicados e muito desafiadores, inclusive porque os problemas estão aumentando, não diminuindo”, afirma o diretor da ABCR.

Embora haja dificuldade na arrecadação de fundos, o Monitor de Doações Covid-19 identificou mais de R$ 7 bilhões doados para combater a pandemia, número inédito e muito expressivo. “Não há pesquisas de doações mensais no País. De toda forma, os números dos levantamentos anuais com as empresas mostraram que houve um aumento significativo de doações”, esclarece.

Fome x desperdício

Ao mesmo tempo em que o Brasil se depara com o aumento da fome, um levantamento da ONU revela que o País desperdiça cerca de 27 milhões de toneladas de alimentos por ano. A pesquisa mostra, ainda, que 60% dos alimentos jogados fora são do consumo de famílias. Tal cenário vem mobilizando as ONGs e as empresas, no sentido de diminuir essa incoerência. 

Segundo Vergueiro, uma das maiores iniciativas no combate ao desperdício de alimentos no Brasil é o programa Mesa Brasil, do SESC Nacional. “Outras ações incluem as organizações chamadas Bancos de Alimentos, presentes em alguns lugares do País, que também se somam ao Mesa Brasil e atuam para reduzir o desperdício de produtos e, assim, garantir maior segurança alimentar aos brasileiros. Sem essas iniciativas e instituições, a situação seria muito pior”, complementa Vergueiro.

Como ajudar?

Há várias maneiras de colaborar com as famílias que estão em situação de vulnerabilidade. No entanto, o conselheiro do CRA-SP comenta que o modo mais simples é escolher organizações que atuam nessas causas e realizar doações, de preferência financeiras, uma vez que o dinheiro é o primeiro recurso que toda instituição sem fins lucrativos precisa para financiar sua operação. 

“Quem quiser colaborar pode até se tornar um doador mensal. Além disso, é possível ser um voluntário ou mesmo doar produtos para essas instituições. Por fim, os interessados em ajudar também podem divulgar as ações que as ONGs realizam nas redes sociais. Acreditamos que a força do convite pessoal para a sua rede de contatos é muito forte e a credibilidade pode ajudar a aumentar as doações”, finaliza Vergueiro.

Sobre o Adm. João Paulo Vergueiro: Administrador, mestre em Administração Pública pela FGV-SP e bacharel em Direito pela USP, é conselheiro do CRA-SP e diretor-executivo da ABCR – Associação Brasileira de Captadores de Recursos. É, também, professor de Administração e coordenador do programa Alumni Alvaristas da FECAP – Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, conselheiro da Fundação Amor Horizontal e da Kibô-no-Iê. Foi coordenador do Grupo de Excelência em Administração do Terceiro Setor – GEATS, do CRA-SP. 

Sobre o CRA-SP: O Conselho Regional de Administração de São Paulo – CRA-SP é uma autarquia federal, criada em 1968 (três anos após a regulamentação da profissão de Administrador) que, atualmente, reúne cerca de 65 mil registrados, entre pessoas físicas e jurídicas. Embora suas principais funções sejam o registro e a fiscalização do exercício profissional nas áreas da Administração, o CRA-SP tornou-se referência na qualificação de profissionais, ao disponibilizar, de forma gratuita, palestras e eventos em um ambiente onde o conhecimento é tratado como uma poderosa ferramenta, capaz de promover profundas mudanças sociais. Atualmente, o CRA-SP é presidido pelo Adm. Alberto Whitaker.

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