O problema não está na tecnologia, e sim em quem a opera

O árbitro de vídeo, do inglês Video Assistant Referee ou simplesmente VAR, é composto por um conjunto de câmeras que transmitem as imagens para uma sala isolada do campo, onde assistentes de vídeo podem rever as jogadas. A tecnologia foi utilizada pela primeira vez no esporte em 2017, em um jogo de futebol. A Major League, nos Estados Unidos, foi quem fez o primeiro teste do equipamento nos jogos, porém ainda de forma não oficial. Mas foi somente durante a Copa do Mundo de 2018 realizada na França, que a nova ferramenta no futebol ganhou destaque e despertou a atenção mundial.

Pois bem, seria então o intuito desse texto elogiar o VAR? Não mesmo. É difícil não se ouvir a palavra polêmica quando tocamos no assunto. Em pelo menos 10 jogos que vi esse ano, por três vezes no mesmo lance, o VAR foi chamado pelo árbitro de campo. Se for para usar esse recurso em lance normal de jogo ou mesmo no chamado lance “bobo”, fica a reflexão: Seria para esse propósito que serve a tecnologia? Penso que teria que ser chamado e revisado apenas em lances capitais como: pênalti, cartão vermelho, toque de mão, gol, erro de identidade de jogadores ou jogadas duvidosas. Apenas nessas ocasiões o árbitro de vídeo deveria ser analisado, e não se parar o jogo de cinco em cinco minutos para rever lances. Sem falar que o árbitro de campo tem levado muito tempo para tomar uma decisão. Muitas das vezes ao olhar no monitor do VAR, ainda se equivoca.

Mas que fique claro, o VAR ainda vai ser por um bom tempo um choque cultural para nós brasileiros, que temos que ir nos habituando a ele aos poucos. Por todas essas razões, a ferramenta aqui no Brasil está mal-empregada. Talvez, seja sucesso internacional por uma aceitação melhor de todos e por realmente minimizar os erros. Vale ressaltar, também, que, com o uso do VAR no futebol, se perde a emoção do grito de gol, pois o torcedor não sabe se esse lance será revisado logo depois. A imagem que fica na mente é de reação estática e congelada.

Toda nova tecnologia para minimizar erros é bem-vinda, só que precisamos aperfeiçoá-la, e principalmente quem opera. O VAR veio com o propósito de minimizar os erros de arbitragem, pois deve ser uma ajuda e um auxílio para o árbitro de campo na tomada de decisão. Mas para que as novas tecnologias funcionem com êxito é fundamental que a mão humana esteja apurada e muito capacitada para operar. Só assim terá aceitação total no nosso país.