Rafael Oliveira é o responsáveis pelas versões musicais de “Bullying, O Musical”

Bullying, O Musical é uma história vibrante que pretende levar reflexão e humor a todos. O enredo traz os alunos do Colégio Epaminondas que tentam sobreviver ao último ano do ensino médio. Embalada por canções vibrantes, Bullying é um espetáculo de jovens para jovens. Assuntos relevantes como drogas, sexualidade e a escolha da carreira são abordados na trama, mostrando a importância da discussão.

Sucesso de 2019, Bullying, O Musical está de volta, o espetáculo de Allan Oliver é um oferecimento da Dagnus Produções. O musical retorna para nova temporada em novo formato, com novo elenco e nova equipe, trazendo texto e direção geral sob comando de Allan Oliver; Rafael Oliveira, do site Musical em Bom Português, assina as versões brasileiras do espetáculo; na direção musical estão Vânia Pajares e Claus Xavier, com apoio de Léo Cordoba; Adenis Vieira assina direção coreográfica; Lucas Colombo será o preparador de elenco e auxiliar de direção; Vinícius Perso assina a produção do musical ao lado de Catharina Viezzer e Evas Carretero será o cenógrafo.

Bullying, O Musical tem estreia prevista para maio deste ano no Teatro São Cristóvão e os ingressos já estão à venda pelo site Sympla.

Desde 1999, Rafael Oliveira trabalha com Teatro Musical. Já exerceu diversas funções como ator, diretor, coreógrafo e autor, mas foi como versionista que encontrou sua verdadeira paixão. Ele começou a fazer versões para a Escola de Teatro Musical de Brasília em 2007 e, em 2011 criou o site “Musical em Bom Português”, como uma forma de disponibilizar seu trabalho para todos os amantes de Teatro Musical. Rafael atua como versionista nos canais Disney Channel, Disney XD e Disney Jr além de ser o responsável pelas versões de  musicais como “Os Últimos Cinco Anos” e “Heathers”. Confira a entrevista:

O tema da peça teatral “Bullying, O Musical” é bem explicativo por si só, mas em sua opinião qual é a principal mensagem ou mesmo orientação por trás que pode fazer essa apresentação se conectar a um público jovem?

Para mim, o maior trunfo do “Bulling” é ter um elenco jovem contando a história. Alguns deles estão sofrendo na pele a história que estão contando e isso faz com que o público se conecte. É a arte imitando a vida (ou vice versa).

O bullying infelizmente acontece muito hoje em dia e, transformá-lo em sátira dentro de uma  história fictícia, pode-se considerar um passo importante para  o público refletir sobre a temática,  muito recorrente nos dias atuais?

É um assunto que precisa ser falado. Eu mesmo tenho uma tia que um dia virou pra mim e falou assim: “Ah, mas você sempre foi inteligente, não deve ter sofrido muito “bullying” quando criança.”. Nossa, minha tia, próxima de mim, não tinha a noção do quanto eu sofri (eu sou nerd e gay, dá pra imaginar, né?). Então eu acho importantíssimo que o assunto seja retratado para que as pessoas possam ter noção das consequências. Na peça essas consequências são um pouco extremas, mas, infelizmente, não são impossíveis de se acontecer.

Foto: Divulgação

Ao longo da sua carreira qual seria, talvez, a função que te deu mais trabalho dentro do  teatro musical, atuar ou passar a  dirigir espetáculos que fizeram sucesso com o público?

Acho que o Allan responderia esta pergunta melhor do que eu… Mas vamos lá… Entre atuar ou dirigir sem dúvida atuar dá mais trabalho. Tanto o diretor quanto o ator tem um trabalho árduo na criação do espetáculo, mas chega um momento em que o diretor precisa dar um passo atrás e deixar o ator fazer o trabalho dele com liberdade. Nesse momento o diretor pode parar para respirar. Já o ator não, ele precisa estar presente 100% do tempo e isso não é nada fácil. Mas na minha carreira em geral, o que mais me deu trabalho mesmo foi tentar ser dançarino. Fiz ballet por três anos. Nunca vi uma pessoa se dedicar tanto para ter tão pouco resultado (RISOS). . Felizmente encontrei na versão minha vocação e não preciso mais dançar.

Conte-nos um pouco sobre quem é Rafael Oliveira e o que o levou a seguir sua profissão.

Rafael Oliveira é uma pessoa bem dedicada que não tem medo de experimentar coisas novas. Desde cedo quando comecei minha carreira artística, como ator, eu percebi que, para viver da arte, eu precisaria acumular o máximo de funções possíveis, já que na companhia teatral onde eu trabalhava nós ganhávamos por função. Então sempre que havia uma oportunidade, eu tentava aprender uma coisa nova… O iluminador está atrasado pro ensaio geral? Eu subia na mesa de luz e ia “brincando” até o iluminador chegar. Eu inventava coreografias, escrevia textos, mesmo sem ter qualquer formação para isso. E foi assim que eu cheguei na versão. Claro que se você quer fazer da arte o seu ofício, você precisa estudar e se especializar, mas, no meu caso, isso veio depois. Eu comecei sem saber nada mesmo, na cara e na coragem.

Foto: Divulgação

O que é o “Musical em Bom Português” e como ele surgiu?

O “Musical em bom português” é meu filho…  (RISOS).  Este ano ele vai completar 10 anos. O site surgiu da necessidade de armazenar as versões que eu já tinha feito na vida, quando o caderno onde eu anotava tudo já estava ficando cheio. Entrei no Google e procurei “como fazer um site” e foi assim que o “Musical em bom português” nasceu. Hoje ele conta com mais de 1.500 versões em português para todo mundo que prefere cantar na nossa língua nativa.

Além do musical atual, existe algum projeto para o futuro já em andamento?

Então… Nesse momento pandêmico o que mais a gente faz é pensar em projetos futuros, né? Além do Naked Boys Singing Brasil que está em produção desde 2019 e já teve sua estreia adiada duas vezes, tenho ainda dois projetos “na agulha” que, infelizmente, ainda não posso revelar os nomes… Mas estou aqui de dedos cruzados para que a saúde volte a reinar em nosso país e a gente consiga voltar a fazer arte nos palcos.

Foto: Divulgação

Já participou de algum musical seja como ator, diretor, coreógrafo ou autor e já se arrependeu de não ter mudado algo antes de ir ao ar?

Arrependimento é uma coisa que, com o passar do tempo, eu aprendi a não ter mais. Eu sou daqueles que tenta se esforçar sempre ao máximo então, se não ficou do jeito desejado, eu posso dizer que eu não conseguiria fazer melhor. A gente aprende a não cometer os mesmos erros no futuro, então não posso me arrepender pois, no mínimo, eu ganhei uma boa lição. Agora se arrepender de ter trabalhado com algumas pessoas, aí sim eu me arrependo (RISOS), mas isso é uma história para outra entrevista…

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