Quando uma onda de assassinatos em série abala uma cidade pacata, os veteranos detetives Bill e Romana, a advogada Emma, a policial Alisson e o delegado Bartolomeu se unem para desvendar os mistérios por trás dos crimes hediondos. No livro “O Fruto Proibido”, a autora Carol F. mergulha os leitores em uma trama de suspense policial, onde os protagonistas não apenas buscam justiça, mas também enfrentam seus próprios demônios internos. Com uma narrativa não-linear e alternância de pontos de vista, a obra explora temas como os desafios da vida pessoal e profissional, a violência infantil e os ecos do passado na formação da identidade, mantendo a identidade do vilão em segredo até as últimas páginas.

Carol, como surgiu a ideia para “O Fruto Proibido”? Houve algum evento específico ou inspiração que te levou a escrever essa história?

A vontade de escrever um livro já vinha rondando a minha mente há alguns anos, mas nunca colocava o projeto em prática. Em meados de fevereiro de 2022, 8 meses depois de dar à luz a minha segunda filha, Maya, ainda naquela fase delicada de ter um recém-nascido em casa e com os sentimentos extremamente aflorados, eu decidi deixar de apenas querer escrever as minhas próprias histórias e comecei a pensar realmente nos temas a serem abordados. Eu sempre tive um temor muito grande em relação a maternidade: que minhas filhas algum dia pudessem passar por algum tipo de abuso. Então, em uma certa noite, eu sonhei com várias situações análogas ao livro e resolvi passar para o papel. Portanto, o livro, em uma primeira análise, surgiu como uma forma de proteger as minhas filhas e, também, outras crianças. Mas ele foi além deste objetivo inicial, ele até encontrou um romance no meio do caminho.

Você mencionou que o livro foi escrito com base em sentimentos pessoais. Pode compartilhar como suas próprias experiências influenciaram a criação dos personagens e da trama?

Quando você começa um processo criativo de escrita, tantas coisas surgem que até se perde o controle do que vem a fluir com o seu desenvolvimento. Depois de finalizado e revisado o livro, eu pude constatar melhor a quantidade de características de alguns personagens que também eram minhas, além de algumas lutas internas que eles vivenciaram. Como mãe, por exemplo, consegui descrever a dor de uma mãe quando achou que havia perdido o seu filho em um local público, por pura distração, o que já ocorreu comigo. Como uma adolescente também insatisfeita com o seu corpo e que teve os seus distúrbios alimentares, transcrevi parte do que já vive relacionado a isso. Ademais, a minha experiência como advogada foi fundamental para esmiuçar sobre os procedimentos que envolvem uma investigação policial, o que também facilitou ao escrever “O Fruto Proibido”.

A narrativa não-linear e a alternância de pontos de vista são características marcantes do seu livro. Por que você escolheu esse estilo e como ele contribui para a construção do suspense?

Um bom suspense, aquele que realmente prende o leitor, ele é, geralmente, dotado de descrições mais ricas tanto dos ambientes quanto dos personagens. Estes foram pontos fortes na construção da minha narração. Ademais, o fato da trama se desenrolar, indo de uma cena para a outra, acredito que ajude a confundir o leitor que nunca sabe o que realmente pode vir no capítulo seguinte. Então, para que ficasse ainda mais rica e misteriosa a história, eu escolhi desenvolver a narrativa dividindo-a em capítulos que descrevessem cenas de alguns personagens principais, parte do passado que justificasse a presença deles na história e que, ao mesmo tempo, os colocasse como peças-chaves no desenvolvimento da trama relacionada aos assassinatos, sendo direta ou indiretamente envolvidos. Cada personagem escolhido para ser aprofundado foi primordial para causar ainda mais suspense aos capítulos escritos e desenvolvidos ao longo da história.

Os personagens lidam com diversos problemas pessoais enquanto investigam os assassinatos. Como você equilibrou o desenvolvimento dessas subtramas pessoais com o enredo principal de suspense?

Este recurso utilizado foi pensado desde o início para que o livro tivesse uma quebra no tema pesado referente a assassinatos e abusos infantis. Pensando nisso, eu quis trazer elementos diferentes para incorporar a narrativa. Trazer à tona dilemas pessoais dos personagens principais seria uma forma de prender os leitores que, em algum momento da leitura, se identificariam com algum destes problemas enfrentados, o que é de grande importância para que continuassem virando as páginas do livro. Ademais, cada situação problemática enfrentada pelos personagens foi extremamente necessária para que a narrativa se desenvolvesse com ainda mais mistério, sendo uma técnica utilizada para confundir o leitor no que tange a encontrar o verdadeiro assassino e sua real motivação.

O livro aborda temas como violência contra crianças e os impactos de relacionamentos abusivos. Qual foi a importância de incluir esses temas e qual mensagem você espera transmitir aos leitores?

Os temas abordados no livro são fortes, profundos, que gatilham muitos indivíduos. Eu acredito que, em algum momento da vida da maioria das pessoas, elas já passaram por algum tipo de relacionamento tóxico, abusivo, doloroso ou apenas triste, os quais a marcaram profundamente. Isto pode ocorrer em relacionamentos familiares, amorosos ou até de amizade. Procurei, em um contexto geral, levando em consideração dilemas diferentes de diversos personagens mostrar que, apesar de tudo, podemos superar os nossos próprios traumas e sair de situações desesperadoras ainda mais fortes do que entramos. A esperança foi um sentimento essencial para compor a mensagem final: não deixe que um fato do passado defina o seu futuro. Você é mais forte que isso.

Carol F.
Carol F.

Cada personagem em “O Fruto Proibido” tem uma trajetória distinta e complexa. Qual deles você achou mais desafiador de escrever e por quê?

Eu me deparei com alguns que mexeram extremamente comigo, principalmente quando discorria sobre seus medos mais profundos. Mas, sem sombra de dúvida, escrever os capítulos em que o assassino exteriorizava os seus sentimentos mais profundos acerca do desejo pelas menores foi o que mais me impactou e me desafiou. Fiz bastante pesquisa sobre o que passa na mente do assassino para colocar no papel os seus pensamentos e atitudes. Senti nojo, raiva, angústia e tantos outros sentimentos ao falar por ele, mas conseguia sair do “personagem” assim que terminava de escrever os referidos capítulos.

O suspense policial é um gênero com muitos clássicos. Quais foram suas principais influências literárias ao escrever “O Fruto Proibido”?

Sou apaixonada por suspense desde nova. É o meu gênero literário predileto. Li vários clássicos de Agatha Christie, Stephen King, Sidney Sheldon, dentre outros. No entanto, para elaborar “O Fruto Proibido”, eu tive como referência maior Hallan Coben, tendo em vista que os livros dele, pelo menos os mais atuais, tem uma quantidade considerável de personagens que ele desenvolve e consegue amarrar, durante a trama, a vida de todos em um evento comum. No início, parece tudo muito nebuloso e sem sentido, mas depois Hallan, com a sua brilhante habilidade de escrita, conecta cada ação, de vários personagens, a um final incrível e inesperado. Foi uma grande fonte de inspiração seus livros, no que tange a parte do suspense. No que pertine a fluidez da escrita, me inspirei nos livros da Collen Hoover, que tem uma forma mais leve de repassar dilemas pessoais aos seus leitores.

Você explorou as contradições humanas e os dilemas morais dos personagens. Como foi o processo de pesquisa para garantir que essas representações fossem autênticas e realistas?

Além de uma leitora voraz, eu sempre fui uma grande ouvinte. Tanto de familiares quanto de amigos ou apenas colegas. Então, como uma pessoa que foi considerada confiável, por tantos, eu escutei durante a minha vida diversas confidências. Nestas tantas conversas particulares geralmente não se dá para mentir. A verdade emerge e a alma fica transparente. Assim, tantas pessoas me mostraram suas fragilidades, seus dilemas, suas contradições entre atitudes e pensamentos. E, levando em consideração a riqueza de detalhes do que ouvi, eu consegui compor a maioria dos personagens. Ademais, em relação ao assassino, eu precisei ir um pouco além e estudei o comportamento de diversos psicopatas por meio de livros e filmes.

A identidade do vilão permanece secreta até os momentos finais da trama. Como você manteve o suspense e evitou entregar pistas que pudessem revelar o desfecho antes da hora?

Tentei plantar na mente do leitor várias pistas falsas. Dei ênfase em personagens que nem tanta importância tinha para a trama. Apontei características que poderiam dar a entender que um ou outro poderia ser o assassino. Ressaltei situações que insinuavam a periculosidade de alguns personagens. E, além disso, desviei do assunto principal em diversos momentos, que era a investigação de crimes hediondos contra crianças, incluindo um romance inesperado durante a narrativa.

No final do livro, você menciona que o amor e o perdão devem prevalecer. Como você conseguiu integrar esses valores em uma narrativa tão sombria e cheia de reviravoltas?

Apesar de ser alucinada por um bom suspense, um drama profundo e uma narrativa que trabalha aspectos fortes de um determinado assunto, eu sempre acreditei que, ao final de tudo, nós podemos achar algo positivo do que vivenciamos. Então, apesar de tanta dor, sofrimento e traumas, acredito que somente o perdão e o amor podem curar o ser humano e transformar o seu presente e futuro em um lugar gostoso de viver. A reviravolta verificada nas últimas páginas é neste sentido. Quando conseguimos, enfim, perdoar o outro e a gente mesmo, encontramos um caminho próspero e uma esperança de sermos felizes.

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