Juliê transforma vulnerabilidade em potência no EP “Mapa do Coração” e reafirma sua identidade artística

Luca Moreira
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Juliê
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A cantora Juliê apresenta em “Mapa do Coração” um trabalho marcado pela escuta profunda e pela coragem de transformar sentimentos íntimos em música. Em entrevista, a artista reflete sobre o processo emocional por trás do EP, a escolha por priorizar a verdade artística em vez de tendências e o significado de ocupar novos espaços como a primeira mulher a participar do projeto #EuSouMS Sessions. Entre influências que transitam pelo pop, R&B e MPB, Juliê constrói uma narrativa autoral que mistura sensibilidade, força e afirmação feminina, consolidando o projeto como um ponto de partida para novos caminhos criativos e pessoais.

Você descreve “Mapa do Coração” como um retrato emocional muito íntimo. Em que momento da sua vida você percebeu que estava pronta para transformar esses sentimentos em música e compartilhá-los com o público?

Eu percebi que estava pronta quando entendi que vulnerabilidade não é fraqueza, é potência. Houve um momento em que guardar começou a me limitar artisticamente. Eu já tinha vivido, sentido, elaborado… então compartilhar deixou de ser exposição e virou conexão. O EP “Mapa do Coração” nasce dessa CORAGEM de não esconder o que me atravessa.

O EP nasceu de um processo de “escuta profunda”. O que você aprendeu sobre si mesma durante essa fase de criação e como isso mudou a forma como você se enxerga como artista e como pessoa?

Aprendi que eu sou muito mais intuitiva do que imaginava. Durante esse processo, eu parei de tentar corresponder as expectativas externas e comecei a confiar mais na minha sensibilidade. Isso mudou tudo daqui pra frente enxergo com mais clareza os meus sonhos. Como artista, fiquei mais segura das minhas escolhas. Como pessoa, me tornei mais gentil comigo, aprendi a descansar com aquilo que não está no meu controle, entendo hoje sentir faz parte da construção de todo meu processo e esta tudo bem ser vulnerável.

Juliê
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Ser a primeira mulher a participar do projeto #EuSouMS Sessions carrega um significado simbólico. O que essa conquista representa para você e que tipo de portas acredita que ela pode abrir para outras artistas?

Ser a primeira mulher na #EuSouMS Sessions é uma honra e uma responsabilidade, confesso que inicialmente além de sentir o peso disso o medo também tomou conta, mas agora que conquistamos muitos juntos mais espaços eu me sinto muito realizada. E estar nessa cena em Campo Grande MS representa ocupar um espaço que historicamente nem sempre foi aberto para nós. Eu espero que isso ajude a naturalizar a presença feminina nos palcos, nos shows, nos eventos e que outras artistas do Mato Grosso do Sul se sintam autorizadas a ocupar, propor e liderar seus próprios projetos. Quando uma de nós entra, muitas podem entrar depois. Estou muito grata por todo esse processo.

A escolha das faixas foi guiada pela verdade emocional e não pela busca por hits. Em algum momento foi difícil deixar de lado essa pressão e priorizar aquilo que realmente te representava?

Sim, existe sempre uma pressão silenciosa por números, por tendências. Mas eu sabia que, se eu cedesse nisso agora, estaria traindo o momento que eu estava vivendo. Foi um exercício de maturidade sabe? Escolher a verdade foi também escolher construir uma carreira sólida, e não apenas um lançamento momentâneo, eu não me permito viver no raso, não mais.

Juliê
Juliê

“Ela Tá Braba” surge como um grito de liberdade e afirmação feminina. Que tipo de mensagem você espera que as mulheres sintam ao ouvir essa música pela primeira vez?

Eu quero que elas se sintam donas de si. Que entendam que estar “braba” não é descontrole é consciência, é autonomia, é saber o próprio valor. “Ela Tá Braba” é sobre não pedir desculpa por existir com intensidade e autoridade. É dança, é força, é presença.

Seu trabalho mistura pop, R&B e MPB com uma identidade muito própria. Como você equilibra suas referências com a vontade de construir algo que seja genuinamente seu?

Eu parto sempre da emoção. As referências vêm depois, o pop me conecta com o agora, o R&B vem da profundidade das minhas raízes lá do hip hop é o que bate e faz as conexões profundas e a MPB traz digamos que uma narrativa. Mas tudo passa pelo meu filtro emocional. Se não soa como eu, não fica. Se eu não danço no som, não fica! O equilíbrio está em entender que identidade não é limitar, é agregar.

Juliê
Juliê

Muitas das músicas falam sobre afetos, encontros e desencontros. Houve alguma canção do EP que te emocionou de forma especial durante a gravação ou que foi mais difícil de revisitar?

Sim. Teve uma faixa específica em que eu precisei respirar fundo antes de gravar, porque ela traz muita emoção, e palavras reais que acredito muito. “Mapa do coração” é faixa, inclusive o nome que leva o EP. Mas lembro que naquele momento eu entendi que a emoção que me atravessava era exatamente o que precisava para estar ali. E quando a voz embarga, às vezes é aí que mora a verdade. Inclusive, na gravação ao vivo deixei ela por último caso eu precisasse retocar a maquiagem rs.

Você disse que esse projeto é um movimento de afirmação artística e emocional. Depois de colocar esse “mapa” para o mundo, que novos caminhos você sente vontade de explorar daqui para frente?

Agora que eu coloquei esse mapa no mundo, sinto vontade de expandir. Explorar novas sonoridades, que sei que tenho potencialidade, talvez algo mais performático, mais corporal, sem perder a essência. Quero continuar aprofundando minha narrativa, mas também experimentar. “Mapa do Coração” é um ponto de chegada, mas principalmente um ponto de partida.

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