A cantora paulistana Cláudia Rezende, lançou no último dia 15, “Ela Quer Cantar”, música que faz parte de uma nova fase, autoral, porém, sem abandonar a MPB clássica.

Cláudia Rezende é conhecida por apresentar um passeio entre a MPB e o pop, com canções cantadas em inglês, tendo uma levada lounge, belíssimos arranjos, tudo misturado ao brasileiríssimo acento da bossa nova, alinhada com  sua grande influência, ao lado da música erudita, (estudou canto lírico na Universidade livre de música, em São Paulo de 2000 a 2008 Integrando, na época, o grupo de jovens cantores da ULM, apresentando árias de ópera diversas).

Lançou e um disco em 2009, Movimentos raros, no Brasil e no Japão, e posteriormente, passou a gravar com o “pai da bossa nova”, Roberto Menescal, da Albatroz, lançando canções americanas, com uma levada bossa lounge. Atualmente possui mais de 6 álbuns com canções clássicas já disponíveis nas plataformas digitais e agora está prestes a lançar suas músicas autorais, destinadas aos ouvidos mais diversos. Confira a entrevista!

Lançado no meio desse mês de julho, “Ela Quer Cantar” nos dá as boas vindas a uma nova fase mais autoral da sua carreira. Qual é o significado da produção e como ela surgiu?

Surgiu há alguns, venho escrevendo algumas canções, mas gravei muita bossa lounge, que adoro, acabei deixando as autorais de lado.

O enredo da música aborda de uma forma bastante reflexiva o fato de deixarmos em segundo plano uma profissão de formação e seguirmos o que realmente queremos fazer. Essa história teve inspiração em suas próprias experiências de vida? Como foi passar isso tudo para a música?

Sim, totalmente. Falo de mim na terceira pessoa na música, e quase sempre que escrevo, falo das minhas experiências e visão da vida. Na música Ela quer cantar, falo da dificuldade em perseguir um sonho, já que tinha algo mais palpável nas mãos, mas que, com a experiência, provou ser uma profissão difícil como tudo na vida. Deixei pra depois, mas a vontade falou mais alto… Tudo na minha vida tem a ver com arte.

Um ponto bastante característico de suas músicas é a mesclagem dos estilos de MPB e pop, com músicas em inglês que abordam o lounge. Poderia nos contar um pouco mais sobre seus processos de composição e como é para conseguir encontrar a harmonização em tantos estilos diferentes?

Acho que se trata da produção. Respeitar a essência da música original, e levá-la mais para perto da levada brasileira, acústica, bem tocada por nossos músicos incríveis. Sempre com verdade e bom gosto.

Cláudia Rezende (Foto: Divulgação)

Em uma de suas apresentações, você afirmou que curte uma acentuação da bossa nova e que costuma alinhá-la com a música erudita que estudou em São Paulo. O que esses estilos trouxeram para sua vida?

Ouço erudito desde que me entendo por gente. Meu pai era alucinado por ópera. Estudei na antiga ULM Tom Jobim, canto erudito, prestei concurso e tudo. Para mim, Cláudia, foi essencial estudar para cantar. Tratar a voz como instrumento que é, foi fundamental para conhecer minhas possibilidades e me permitir me soltar e encontrar meu jeito de cantar. Tudo isso me formou e me tornou quem sou hoje, com experiências diferentes.

Apesar de seguir uma tendência mais intimista em suas apresentações, você conseguiria determinar uma definição mais “exata” na sua música em questões de estilo e personalidade como artista? O que mais a tem servido de inspiração na carreira?

Primeiro, ter sido criada ouvindo MPB da boa, jazz e ópera, me formaram e serviram como referência. Não significa que eu não ame Michael Jackson, Elvis Presley e Beatles e claro, um pagodinho às vezes me encanta. Meu irmão, Nico Rezende foi o pioneiro lá em casa, e isso, certamente me inspirou também. Sou uma pessoa muito elétrica, cheia de energia. No palco, me sinto em casa. Sou uma canceriana com ascendente em leão. Espalhafatosa. Intimista vem por conta do gênero musical que gosto de cantar, acho que música independe do fato de dançar. Tem música para todas as ocasiões e estados de espírito. A minha é para ouvir.

Lançado no ano 2009, o álbum “Movimentos Raros” fez bastante sucesso tanto aqui no Brasil como em seu lançamento no Japão. Como foi lidar com esses públicos tão diferentes em contexto cultural e de localização?

Foi muito bom saber como o público asiático curte nossa música. Inclusive existem vários vídeos comigo cantando no YouTube, com milhões de views, postados por gente da Ásia. Esse disco foi muito especial, com grandes músicos, tudo gravado e cantado ao vivo. Por aqui, foi muito elogiado também. Fico feliz e, de novo, exalto os músicos brasileiros.  Meu irmão produziu com muito bom gosto.

Cláudia Rezende (Foto: Divulgação)

Ainda sobre suas parcerias internacionais, um dos grandes marcos que você passou na carreira foi sua relação com o músico Roberto Menescal, da Albatroz, com quem lançou algumas canções americanas. Poderia nos contar um pouco sobre como nasceu à parceria de vocês e em o que mais se identificaram?

São umas 50 músicas gravadas com o pessoal do Menescal. Apresentaram-me a ele no Rio, fui ao estúdio e ele disse: Canta menina, vou tocar violão e soltou um Gravando! Fiquei nervosa, mas saiu tudo ótimo. Foi uma versão bossa de TAKE MY BREATH AWAY, do Berlim, trilha de Top Gun. Ele adorou o fato de eu ter gravado em um track só, direto, sem errar. E eu, que adoro bossa nova estava ali, diante do Menescal! Dali pra frente não parei mais de gravar com eles.

Quais são os seus planos para o futuro e como você enxerga sua carreira daqui alguns anos?

Quero continuar cantando o que gosto e me firmar no mundo digital, de uma maneira que muita gente possa me ouvir. Ser fiel a mim, seguir meu coração e fazer tudo bem feito. Sempre.

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