Alessandra Jammel aborda ansiedade e amadurecimento juvenil em “Vai dar tudo certo: que fase!”

Luca Moreira
9 Min Read
Alessandra Jammel
Alessandra Jammel

No livro “Vai dar tudo certo: que fase!, a escritora carioca Alessandra Jammel mergulha nos dilemas emocionais da adolescência por meio da história de Mariana Dieckmann, uma jovem que enfrenta crises de ansiedade, inseguranças e os desafios típicos da vida escolar. Ao acompanhar também a perspectiva de Hugo, seu namorado, a narrativa amplia o olhar sobre autoestima, rótulos sociais e saúde mental entre adolescentes. Com sensibilidade e momentos de humor e romance, a obra encerra a trilogia Que Fase! e convida o leitor a refletir sobre crescimento, autodescoberta e a importância de falar sobre sentimentos mesmo nos momentos mais difíceis.

Alessandra Jammel aborda ansiedade e amadurecimento juvenil em Vai dar tudo certo: que fase!

No livro Vai dar tudo certo: que fase!, a escritora carioca Alessandra Jammel mergulha nos dilemas emocionais da adolescência por meio da história de Mariana Dieckmann, uma jovem que enfrenta crises de ansiedade, inseguranças e os desafios típicos da vida escolar. Ao acompanhar também a perspectiva de Hugo, seu namorado, a narrativa amplia o olhar sobre autoestima, rótulos sociais e saúde mental entre adolescentes. Com sensibilidade e momentos de humor e romance, a obra encerra a trilogia Que Fase! e convida o leitor a refletir sobre crescimento, autodescoberta e a importância de falar sobre sentimentos mesmo nos momentos mais difíceis.

Em “Vai dar tudo certo: que fase!”, acompanhamos Mariana lidando com ansiedade, inseguranças e descobertas típicas da adolescência. O que te motivou a explorar de forma tão sensível as questões emocionais dos jovens?

A minha maior motivação vem da observação e da escuta. Eu tenho a oportunidade de conviver muito de perto com adolescentes no meu dia a dia, e percebo que essa é uma fase em que tudo transborda. Mas, ao mesmo tempo, o jovem carrega inseguranças, ansiedades que muitas vezes não sabe como expressar. Explorar essas emoções através da Mariana foi a minha maneira de abraçar esse leitor. Eu queria que ela fosse uma jovem de verdade, para que quem estivesse lendo pudesse pensar: “ela me entende, eu não estou sozinho’” O meu objetivo é validar o que eles sentem e mostrar que sentir medo ou ansiedade faz parte do processo de descobrir quem se é.

A crise de ansiedade da protagonista logo no início do livro já apresenta ao leitor um retrato muito real das pressões vividas por adolescentes. Como foi o processo de construir essa cena e dar voz a sentimentos que muitas vezes são difíceis de expressar?

Construir essa cena exigiu um exercício profundo de empatia e observação. A ansiedade não é apenas um sentimento, é uma reação física e mental que paralisa. Eu quis que o leitor sentisse o que a Mariana sente: o aperto, o pensamento acelerado, o descompasso. Dar voz a isso é transformar o silêncio desses jovens em palavras, mostrando que o que eles vivem não é “frescura”, mas algo real que merece ser acolhido.

A história também mostra a dificuldade de Mariana em comunicar o que está sentindo. Na sua visão, por que ainda é tão complicado para muitos jovens falarem abertamente sobre saúde emocional?

Os adolescentes têm um medo enorme de serem julgados ou de que seus sentimentos sejam vistos como “drama”. Eu quis mostrar que, embora seja difícil dar o primeiro passo, abrir o coração para os pais e pessoas de confiança é o que muda o jogo. Falar sobre saúde emocional não deveria ser um tabu, mas um hábito. Quando um jovem pede ajuda em casa, ele está construindo uma ponte de segurança. É vital que eles saibam que seus pais e amigos próximos são seus maiores aliados, e pedir auxílio é, na verdade, um ato de extrema coragem.

Alessandra Jammel
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Ao trazer também o ponto de vista de Hugo, o livro amplia a narrativa para além da protagonista. O que essa escolha narrativa acrescenta à compreensão dos conflitos e inseguranças vividos pelos personagens?

Trazer o Hugo foi uma escolha proposital para mostrar que os meninos também sentem, sofrem e ficam inseguros. Muitas vezes a sociedade impõe que o jovem precisa ser forte e decidido o tempo todo, mas o Hugo humaniza esse processo. Às vezes, a Mariana acha que só ela está perdida, mas quando o leitor entra na mente do Hugo, percebe que ele também tem suas próprias batalhas. Isso mostra que, por trás de uma aparência tranquila, pode haver um turbilhão de emoções. O diálogo é a única forma de realmente conhecermos o outro e de entendermos que nossas inseguranças são, muitas vezes, compartilhadas.

A adolescência costuma ser retratada como uma fase intensa, cheia de contradições entre diversão, romance e desafios pessoais. Como você buscou equilibrar esses elementos ao longo da história?

Eu busquei o equilíbrio olhando para a vida como ela é: um mosaico de momentos. A adolescência tem a leveza do primeiro amor e das risadas com amigos, mas também tem o peso das descobertas e das cobranças internas. No livro, os momentos de romance e diversão não são apenas pausas, eles são o que dá fôlego para a Mariana enfrentar seus desafios pessoais. Equilibrar esses elementos foi a forma que encontrei de respeitar a complexidade dessa fase, onde o riso e o choro muitas vezes ocupam o mesmo dia.

Este livro encerra a trilogia “Que Fase!”. Olhando para toda a jornada da personagem Mariana, o que você acredita que mais mudou nela desde o primeiro livro até agora?

O que mais mudou na Mariana foi a forma como ela encara as próprias tempestades. No primeiro livro, ela era uma menina tentando entender o mundo; agora, ela é uma jovem que entende a si mesma. Ela não deixou de sentir medo ou ansiedade, mas ela aprendeu a não ser mais refém desses sentimentos. A maior mudança foi a conquista da voz: ela aprendeu a falar, a pedir ajuda e a aceitar que não precisa ser perfeita para ser feliz.

Sua própria relação com a leitura começou ainda na infância, entre as estantes das livrarias do seu bairro. De que maneira essas experiências influenciaram sua forma de escrever para o público jovem hoje?

Nas livrarias do meu bairro, aprendi a perceber quais histórias realmente falavam com o coração. Hoje, ao escrever para adolescentes, busco manter essa mesma honestidade que eu procurava nas prateleiras. Influenciou minha forma de escrever no sentido de não subestimar o jovem leitor; eu escrevo para a inteligência e para a sensibilidade deles, sabendo que um livro lido na hora certa pode ser um divisor de águas na vida de alguém.

Ao finalizar essa trilogia, qual mensagem você gostaria que os leitores — especialmente os adolescentes que se identificam com Mariana — levassem consigo depois de fechar a última página?

Eu espero que os leitores saiam dessa jornada sabendo que o amadurecimento não é uma linha reta, mas um processo cheio de altos e baixos. Quero que eles levem a ideia de que ser imperfeito é humano e que está tudo bem não estar bem o tempo todo. A Mariana descobriu sua força nas próprias vulnerabilidades, e eu desejo que cada adolescente sinta que também tem esse poder dentro de si. Que eles fechem a última página sentindo-se mais acolhidos, mais gentis consigo mesmos e prontos para abraçar a sua própria história.

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